Depois de décadas a serem prejudicados pelas arbitragens nos jogos em casa frente ao FC Porto, alguns sportinguistas despertaram agora para o fenómeno. E um chegou mesmo a vias de insulto, permitindo a Reinaldo Teles fazer prova de vida e de utilidade física junto do seu sempre adorado líder.
É algo irónico que chegue agora esta acidez sportinguista. Só agora, que o poder no grande clube do Norte está a mudar de mãos, até às de uma geração que já cresceu de braço dado com o sucesso arrancado do Sul por Pinto da Costa, José Maria Pedroto e Reinaldo Teles.
Os sportinguistas deviam pedir à RTP-Memória que passasse alguns clássicos do início dos anos noventa do século passado, para agora, à luz do que depois se foi sabendo, poderem avaliar o que são assaltos de catedral. De então, não me recordo de grandes queixas nem levantamentos do lado dos leões.
O primeiro grande prejudicado com a hegemonia conseguida por Pinto da Costa nos centros de poder do futebol – justiça e arbitragem – foi sem dúvida o Sporting. Fruto de alguma falência estratégica, dando o braço ao FC Porto para afastar o Benfica. Ora o Benfica foi mantendo algumas peças vivas nos centros de decisão, à medida que o Sporting desaparecia do radar do poder federativo e da Liga. Do radar dos títulos.
Agora, depois de décadas em que só não se passeava na tribuna de Alvalade por preferir a tensão do banco, Pinto da Costa é importunado na casa do leão.
Agora, quando o afastamento de Reinaldo Teles da equipa de futebol é de tal forma doloroso e ingrato, que, no fundo, revela um pobre líder que já nem em casa manda.
P.S. – A realização televisiva do Beira-Mar-Benfica teve tanta repetição, tanta repetição, que por vezes ninguém sabia onde estava a bola. Por vezes o excesso de recursos não sacia, enfarta.