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Liga maior

Liga maior

Quando Mário Figueiredo, inesperadamente, ganhou a presidência da Liga de Clubes, muitos pensaram que ela passaria a ser uma “liguinha”: os clubes pesos-plumas teriam voz mais grossa mas os pesos-pesados continuariam a capturar o poder. Os últimos dias têm mostrado que não é assim. Porque Figueiredo também quer tratar de negócios: das fontes de receita. E isso é tocar nas caixas-fortes.

Em entrevista ontem na SIC Notícias, o presidente da Liga não estava muito interessado em falar da bizarria do “todos passam este ano” nem do alargamento do número de clubes a disputar o campeonato – que desafia a tese de que, ao invés, o campeonato português devia ter muito menos clubes a jogar mais mãos entre si. Pelo contrário, Mário Figueiredo diz que fazer desse alargamento uma polémica é criar uma manobra de diversão para distrair do que interessa: os contratos de direitos de transmissão televisiva.

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A proposta da Liga é concentrar as negociações destes direitos televisivos, hoje repartidas por cada um dos clubes, o que beneficia os maiores e prejudica os menores. O líder da Liga fala em transmissões no estrangeiro e publicidade associada, o que parece demasiado otimista, mas pode nivelar as receitas entre gigantes e minorcas.

Mário Figueiredo está a pisar brasas – e sabe disso. Ontem, denunciou as relações entre a Sportinvest (de Joaquim Oliveira) e alguns clubes de futebol (como Porto, Braga e Benfica), de cujas sociedades anónimas desportivas é simultaneamente cliente (para as transmissões TV) e acionista. O dirigente foi mais longe e propôs a proibição desse conflito de interesses. Com esta força toda na voz contra os “interesses instalados”, como o próprio assume quando se compara com a “troika”, a pergunta a fazer é: mas este homem aguenta-se?

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