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Por decisão de uma larga maioria dos clubes, Luís Duque assumiu a presidência da Liga de Clubes. O seu principal desafio será encontrar soluções para uma entidade que atravessa enormes dificuldades financeiras, cujas receitas não conseguem cobrir os 12 milhões de euros necessários para organização das provas profissionais e arbitragem, apresentando hoje um défice de exploração na casa dos 9 milhões.
Seria de esperar que os clubes, cada vez mais exauridos financeiramente (especialmente os mais pequenos), assumissem este desígnio de gerar mais receitas. Que surgissem novas ideias para dinamizar o negócio do futebol em Portugal, algo que é do interesse comum de todos os emblemas. Mas não é isso que está, propriamente, a acontecer.
Acomeçar pelo nome designado para encabeçar o projeto da Liga. A escolha de Luís Duque, que me merece a maior estima pessoal e profissional, mas que se encontra atualmente num diferendo jurídico com o Sporting, acaba por ferir a meta de unir todos os clubes em prol de um objetivo comum. Por outro lado, há sinais preocupantes de que esta Liga não será governada pelos clubes, mas sim pela Federação Portuguesa de Futebol (FPF).
Esta influência é visível desde o primeiro dia. Para se ter uma ideia, após a tomada de posse, Luís Duque foi apresentado aos funcionários da Liga pelo diretor-geral da FPF, Tiago Craveiro, e terá como assessores elementos que colaboraram com este último durante a sua passagem como secretário-geral da Liga de Clubes entre 2006 e 2012.
Por incrível que pareça, foi um elemento da FPF que informou a nova estrutura da Liga sobre quem passaria a ser o novo supervisor dos delegados dos jogos. E o próprio presidente da FPF tem passado pela Liga para marcar presença em algumas reuniões. Tudo isto leva a concluir que, neste momento, quem manda na Liga é a FPF e não os clubes.
Face às presentes dificuldades da Liga, umas reais e outras geradas por terceiros, não colhe o argumento de que a FPF está a fazer isto porque vai financiar a Liga, até porque é esta mesma Liga que tem pago, durante anos a fio, muitas das receitas que a Federação recebe. A começar pelos custos da arbitragem nos jogos da 1.ª e 2.ª Liga, mais de 6 milhões de euros por temporada, sendo que os árbitros integram o quadro da FPF.
Quem procede ao registo dos contratos dos clubes profissionais são os serviços da Liga, mas 50 por cento do valor das inscrições (cerca de 800 mil euros) vão para a FPF, sem que esta tenha qualquer tipo de encargo, e para apoio ao futebol de formação a Liga paga também cerca de 400 mil euros por temporada à Federação. E, por último, os custos relacionados com o Conselho de Disciplina da FPF também são assumidos pela Liga, o que não faz sentido algum.
Ou seja, a entidade que mais encargos coloca em cima da Liga de Clubes está agora a liderar o seu processo de reabilitação. É um mau presságio e tem tudo para dar errado, já que não é nítido, até ao momento, que o principal propósito desta Liga seja distribuir mais receitas por todos os clubes. A ver vamos se esta é uma nova Liga ou um regresso ao passado.
Mário Figueiredo pode ter cometido erros no seu mandato e acabou por ficar num beco sem saída assim que perdeu patrocínios e o apoio dos clubes. Mas também trouxe algumas novas ideias para o futebol, que não agradaram a todos os agentes, mas que apontam para um caminho que, mais tarde ou mais cedo, terá de ser tomado para assegurar a sobrevivência dos clubes portugueses.
O CRAQUE
Elemento precioso
Não deixa de ser caricato que, ainda há algumas semanas, muitos dos que exigiam a titularidade de Ricardo Quaresma no FC Porto o vejam agora como arma secreta na Seleção Nacional. Quaresma é um jogador importante que, estando bem física e psicologicamente, pode tornar-se decisivo em qualquer equipa. Foi isso que aconteceu neste regresso à Seleção, com a participação direta nas jogadas dos golos apontados a França, Dinamarca, Arménia e Argentina. Seja no banco ou a titular, o seu contributo pode sempre fazer a diferença.
A JOGADA
Nani em Manchester
No regresso à cidade de Manchester, por via do Portugal-Argentina, Nani foi confrontado pela imprensa com um possível regresso ao Manchester United em janeiro. O jogador escudou-se num simples “Não digo que não”. E que outra resposta poderia dar, se é aquela entidade que lhe paga o salário? Isto não quer dizer que o jogador não está comprometido com o Sporting e totalmente concentrado para jogar de leão ao peito até ao final da temporada. E se for verdade que os ingleses já o querem de volta, isso só valida a sua vinda para Alvalade. Foi a opção certa.
A DÚVIDA
A inquietação alemã
Numa altura em que se aproxima a atribuição da Bola de Ouro, os alemães parecem andar nervosos. E apontaram as baterias para... Portugal. Primeiro foi o presidente do Bayern Munique, que, de forma deselegante, colocou em causa o número de sócios do Benfica, num duelo para o título de clube com mais sócios no Mundo, que os bávaros de momento estão a perder para as águias. Depois veio o guarda-redes Manuel Neuer indelicadamente dizer, a propósito da Bola de Ouro, “sou desportista, não um tipo que posa em cuecas”, numa clara alusão a Cristiano Ronaldo.