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OSporting inventou a suposta aliança entre o Benfica e o Porto, para se vitimizar? Ou Luís Filipe Vieira e Pinto da Costa mancomunaram-se para jogar ao “bota-fora” com Bruno de Carvalho?
O tema é polémico e percebe-se porquê. Com a rarefação de receitas no futebol português, se dois grandes repartirem os quinhões maiores das receitas em vez de dividi-los por três, a situação melhora. Sobretudo porque todos os clubes estão numa situação financeira muito difícil.
Bruno de Carvalho está cada vez mais isolado – isso parece ser claro. Já se Vieira e Pinto da Costa estão cada vez mais juntos, é difícil de provar. Mas salta aos olhos que a Liga de Clubes já mudou e que a sua liderança por Luís Duque traz uma nova atitude no poder entre clubes – e destes com partes terceiras, sejam entidades públicas, bancos ou detentores de direitos televisivos.
Se essa atitude da Liga representa uma nova divisão de poder entre um grande clube a norte e outro a sul, não é ainda possível saber. Mas que ambos ganhariam com isso, parece ser evidente. Se existir um acordo desse género, então sim, a Liga passa a ser um porta-aviões possante mas não necessariamente representativo dos interesses de todos os clubes. Talvez seja por isso que as posições de Bruno de Carvalho, de não aparecer, não serão birras mas reações de rejeição a ser secundarizado.
A Liga está à espera da mudança de estatutos para dar um novo salto, não se sabe ainda bem para onde – mas é para ter mais poder. As negociações de direitos de transmissão televisiva ou as negociações com o Estado por causa de impostos como o IVA irão endurecer. E o Benfica e Porto parecem entender os sinais que reciprocamente vão enviando um ao outro para serem os beneficiados dos próximos anos desta nova forma de agregação. Bruno de Carvalho não tem tarefa fácil: quebrar um duopólio em formação?