Opinião
Nuno Félix Scout internacional

Luis Guilherme - Boa entrada do Sporting em 2026

A chegada do jovem extremo brasileiro ao Sporting CP deve ser vista como uma decisão de risco calculado num momento particularmente sensível da época. Com o Sporting ainda em todas as frentes competitivas, a gestão do plantel deixou de priorizar apenas a questão da profundidade do plantel para ter de a ser, sobretudo, uma questão de rendimento imediato, sem descurar o potencial futuro. É nesse ponto que a opção da direção desportiva verde e branca merece análise crítica.

Do ponto de vista técnico, trata-se de um jogador com excelentes predicados: explosão em espaços curtos, qualidade no primeiro toque, boa condução em progressão e capacidade para atacar o corredor interior a partir da ala, sobretudo quando parte para o movimento em pé invertido. É um extremo que gosta de receber entre linhas e acelerar a partir daí, algo que pode acrescentar imprevisibilidade ao jogo exterior do Sporting quer pelo corredor direito como substituto natural de Quenda, quer pela esquerda onde compara muito positivamente com Alisson. No modelo de Rui Borges, que privilegia largura controlada, ocupação racional dos espaços, dinâmica posicional e alas com responsabilidade na criação, pode ser uma peça útil para variar ritmos e dar maior agressividade ofensiva.

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Taticamente, porém, o jogador ainda revela fragilidades. A tomada de decisão no último terço é irregular, o critério no passe final oscila e o compromisso defensivo nem sempre acompanha as exigências de um bloco médio-alto pressionante. São aspectos que explicam, em parte, porque não conseguiu afirmar-se no West Ham United. Num contexto de elevada intensidade física, pouco tempo para errar e com um treinador, que qualifico de conservador, como o é Nuno Espírito Santo, a margem para desenvolvimento foi curta e correspondentemente, o espaço competitivo praticamente inexistente.

A mudança para Portugal pode, paradoxalmente, ser determinante. A adaptação direta do jogador brasileiro ao topo do futebol europeu continua a ser um dos processos mais complexos do mercado, e a Liga portuguesa oferece um contexto intermédio: competitiva, exigente taticamente, mas mais favorável a uma evolução com progressivo tempo de jogo. No Sporting, encontrará esse tempo, esse contexto, e um modelo que pode potenciar o seu crescimento. No entanto, importa que lhe seja permitido errar, aprender e ganhar consistência, o que não faz de Luis Guilherme um reforço 100% seguro como Joker para o ataque ao tricampeonato. 

Não é, por isso, uma contratação de impacto imediato garantido. É uma aposta de médio prazo, feita num momento de urgência. O sucesso dependerá menos do talento, que sobejamente existe, e mais da capacidade do Sporting em enquadrar, proteger e desenvolver um jogador ainda em construção.

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Por Nuno Félix
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