Madaíl e Scolari podem respirar

Finda a jornada dupla lá nos confins, onde alguns insistem em chamar Europa a um vasto pedaço da Ásia, Portugal está com um pé na fase final do Europeu de 2008. E só não digo que já lá tem os dois porque, como se viu recentemente, por vezes acontecem deslizes surpreendentes em casa e todas as contas se complicam. Mas, convenhamos, se agora não conseguirmos “carimbar” a qualificação – quando resta defrontar, em casa, Arménia e Finlândia, sendo necessário apenas ganhar ao primeiro opositor e empatar com o segundo – tal significará que não merecemos marcar presença no certame organizado por Áustria e Suíça.

Os triunfos no Azerbaijão e no Cazaquistão, como afirmou Ricardo no lançamento dos duelos, não trazem prestígio ao País. Mas, como verificámos no passado, podiam ridicularizar-nos. Felizmente, tudo correu bem, pese as inoportunas lesões de Simão e Nuno Gomes; as exibições descoloridas de Deco e Quaresma (continua a revelar dificuldades sempre que é titular na Selecção, mesmo quando no FC Porto assina prestações notáveis) e a necessidade de apostar em gente sem muita experiência nestas andanças (Miguel Veloso, Bruno Alves, Hugo Almeida, João Moutinho, Jorge Ribeiro ou Makukula).

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Com os 6 pontinhos no bornal e – mais importante – dependendo apenas de si para seguir em frente, Portugal volta a sorrir, depois de um período anormal em que a equipa parecia estar a perder a eficiência e o pragmatismo que nos guindaram, nos últimos anos, aos lugares mais altos tanto na Europa como no Mundo.

Se todos os portugueses apreciaram as vitórias, Madaíl e Scolari precisavam delas para pode respirar de alívio. Tanto um, como outro, estavam reféns do episódio do soco a Dragutinovic e de tudo o que se seguiu. Falhar o acesso ao Europeu seria devastador e, não tenham dúvidas, perante um tropeção desse tamanho nada, nem ninguém, seria capaz de segurar o líder federativo e o treinador que, se têm méritos, também protagonizam momentos infelizes como qualquer humano.

P.S. – Makukula teve uma estreia soberba na Selecção A. Defendi que, depois de ter anunciado que queria representar o Congo, o maritimista não devia voltar a representar o País. Mantenho essa opinião, tal como reafirmo que a sua oscilação de carácter não deve ser confundida com falta de qualidade. Futebolisticamente o rapaz dá um jeitaço.

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P.S. 1 – Não acredito em telepatias. E jamais poderemos confirmar se as substituições feitas por Flávio Teixeira seriam as mesmas caso fosse Scolari a dirigir a equipa no banco. Mas, para que conste, gostei da forma como o adjunto mexeu no conjunto nos dois jogos. E nem sempre aprecio as alterações do treinador principal...

P.S. 2 – Quem não teve oportunidade de assistir ao Rússia-Inglaterra deve tentar ver a repetição ou arranjar uma gravação. Os britânicos perderam, ficaram praticamente afastados do Europeu e, mais surpreendente, chegaram a ser vulgarizados durante largos períodos. Não me lembro de ter visto os ingleses tão encostados “às cordas”.

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