Demorou... mas aconteceu. Gilberto Madaíl, presidente da Federação Portuguesa de Futebol, reagiu à palhaçada verificada na passada sexta-feira durante a reunião (ou reuniões) de um grupo de pessoas que, em teoria, formam (ou formavam) o Conselho de Justiça da FPF.
Mas, mesmo depois de um silêncio superior a 48 horas - que tem todo o aspecto de ter sido "táctico" -, o líder federativo falou sem dizer absolutamente nada. Ou melhor: reforçou o que todos nós, leigos na matéria, já tínhamos concluído. O episódio protagonizado pelos sete elementos do órgão que, ironicamente, responde pelo nome de Conselho de Justiça foi "lamentável, inaceitável e incompreensível" e beliscou (ainda mais) a imagem do futebol português além-fronteiras. Para chegar a esta conclusão, Madaíl podia (e devia) ter feito esta intervenção logo no sábado. Pelo menos, evitava as críticas relacionadas com a "ausência" durante o fim-de-semana. Mesmo que estivesse mergulhado no "dossier Carlos Queiroz", não custava nada ter vindo a público marcar uma posição célere.
O anúncio de um processo de averiguações ao sucedido também não espanta ninguém. Era só o que faltava, a FPF considerar que o "espectáculo" de sexta-feira não precisava de ser devidamente analisado. E, de preferência, sob a batuta de alguém exterior à instituição. É que, a avaliar pelos acontecimentos recentes, parece que o futebol luso tende a melhorar se muitas das decisões em relação ao futuro forem tomadas por alguém "de fora". Lá dentro (cuidado Queiroz) ainda há muita porcaria!
Para culminar uma intervenção infeliz, Madaíl recusou-se a enfrentar as perguntas dos jornalistas. Não o devia ter feito. Esconder-se nunca é a melhor solução para quem ocupa um cargo de decisão. Inclusive quando, perante o cenário, é difícil (ou impossível) saber com exactidão tudo o que se passou durante aquilo que se espera ter sido a última reunião do actual Conselho de Justiça.
A terminar, também não gostei de ter de esperar pela intervenção de Paulo Relógio para saber que os envolvidos no processo (leia-se Boavista, União de Leiria, Pinto da Costa e uns quantos árbitros) vão ser notificados da decisão. Por outras palavras, foi quase sem querer que ficámos a saber que, por agora, vale a posição dos cinco conselheiros que "mandaram às malvas" as ideias do líder do CJ.
Madaíl teve receio de comunicar ao Mundo esta situação ou, pura e simplesmente, deu-lhe jeito esquecer-se de a anunciar?