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O futebol português está a crescer e ainda bem. Hoje temos uma ambição clara: aumentar os 400 mil atletas federados a nível nacional, como foi referido no 1º Congresso do Futebol Português. Este não é apenas um objetivo desportivo, é um objetivo social, de saúde pública e de desenvolvimento das nossas comunidades.
Em Lisboa temos cerca de 40 mil atletas. Somos uma região determinante para que o país consiga alcançar esta meta. Mas temos de ser claros, se queremos mais atletas, temos obrigatoriamente de criar melhores e mais condições para que eles possam praticar.
Hoje, muitos clubes já vivem no limite da capacidade das infraestruturas disponíveis. Horários sobrelotados, campos com utilização intensiva e dificuldades em receber novos atletas são uma realidade diária. Não podemos querer crescer nos números e manter a mesma capacidade instalada.
Precisamos de investir mais em infraestruturas, construir, modernizar e requalificar. A recuperação de antigos ringues e polidesportivos, com a instalação de coberturas, pode ser uma resposta rápida e eficaz para acelerar o crescimento da prática do futsal, aumentando a oferta de treinos sem depender exclusivamente de novas construções.
Mas o crescimento do futebol não se faz apenas no futebol de 11 ou no futsal. Modalidades como o futebol de praia têm vindo a afirmar-se, tanto em termos competitivos como na captação de novos praticantes. Lisboa e a sua área metropolitana têm condições naturais e geográficas únicas para potenciar esta modalidade, seja através da valorização de infraestruturas existentes, seja através da criação de novos espaços dedicados, permitindo alargar a base de praticantes e diversificar a oferta desportiva.
Temos também de ter a coragem de repensar o modelo de utilização dos espaços. Será que a pré-competição tem de acontecer em campos de futebol 11 ou futebol 7? Estes escalões não poderiam desenvolver a sua atividade em campos sintéticos de dimensões mais reduzidas, nomeadamente em ringues ou polidesportivos requalificados? Podemos pensar numa solução que permite libertar capacidade nos campos principais para competição oficial, aumentar o número de praticantes e melhorar a qualidade do processo formativo nas idades mais jovens.
Mas é preciso dizer isto de forma clara, o país tem de se Unir em torno do reforço do investimento público no desporto. As entidades governamentais têm de ouvir quem está no terreno e perceber as necessidades reais das infraestruturas desportivas. Sem esse reforço, o crescimento ficará inevitavelmente limitado.
Ao mesmo tempo, é justo reconhecer o papel decisivo e fundamental dos municípios. As autarquias têm sido, muitas vezes, a base que sustenta os clubes e garante que milhares de jovens continuam a ter acesso ao desporto, apoiando financeiramente, mas também na cedência de infraestruturas.
O futebol, nas suas várias vertentes, continua a ser uma das maiores escolas de valores que temos enquanto sociedade. E investir no desporto é investir no futuro, na inclusão social e na saúde.
Se queremos aumentar as infraestruturas e o número de praticantes, temos de agir agora. O futuro do futebol português não se vai decidir no discurso, vai decidir-se nas decisões e no investimento que tivermos coragem de
Por Fábio Lourenço