É semana de clássico. O nervoso miudinho já se faz sentir entre os adeptos. Tem sido assim nos últimos 25 anos, com as partidas entre águias e dragões a serem dotadas de intensidade, polémica e carga emocional. Antes, durante e depois dos jogos. No próximo domingo à tarde, a fazer lembrar outros tempos, o duelo na Luz fecha a primeira volta do campeonato. Apesar de não ser decisivo, será muito importante para as contas finais, como nos mostraram as épocas anteriores.
Nenhuma das duas equipas vai querer perder a oportunidade de ganhar vantagem sobre a outra. Costuma-se dizer que os campeonatos se ganham contra as equipas pequenas. Não deixa de ser verdade. Numa prova de longo curso, a conquista do título premeia a equipa mais regular e que menos se deixou surpreender por adversários inferiores. No entanto, quando determinada competição tem no topo equipas com potencial semelhante, os campeonatos bem que se podem se decidir nos confrontos diretos entre esses grandes. Foi assim nas duas últimas Ligas, onde o FC Porto ganhou pontos nos duelos com o Benfica, que acabaram por ser determinantes nas contas finais. E na atual temporada, em que surge um terceiro concorrente à conquista da Liga, o Sporting, os jogos entre os três grandes prometem ser de importância extrema para se poder descortinar o próximo campeão.
Voltando à partida da Luz, e face ao percurso pouco convincente em termos exibicionais que águias e dragões têm tido no decorrer desta época, o clássico pode muito bem ser o “clique” ideal para embalar a equipa que sair vencedora. Quem ganhar, além dos 3 pontos e da vantagem no confronto direto, terá um ascendente em termos anímicos que reforçará os índices de motivação e confiança nos jogos seguintes, abrindo portas a melhores prestações. Por seu lado, uma derrota no clássico, embora não coloque numa posição irreversível, poderá causar instabilidade e uma maior pressão, já que a margem de erro passa a ser muito menor. Acredito, por isso, que vamos ter um jogo disputado ao máximo, com grandes duelos a meio campo (poderá residir aqui a chave da partida: quem dominar a bola na zona intermédia, criará mais perigo durante os 90 minutos) e onde não faltarão golos. Pelo contrário, se algum dos treinadores entrar a pensar no empate, focando a estratégia num jogo defensivo e na conquista do “pontinho”, acabará por aproximar o adversário da sua baliza e correr maiores riscos.
No Benfica existe a curiosidade de saber em qual dos guarda-redes, Artur ou Oblak, irá Jorge Jesus apostar. Na experiência do brasileiro ou na vontade de afirmação do esloveno? São duas opções legítimas e um bom problema para solucionar. Mais complicado será o preenchimento do meio-campo. Deverá Jesus colocar um terceiro médio, sacrificando um avançado? É bem provável que sim.
Quanto ao FC Porto, Ricardo Quaresma será a novidade. Muito provavelmente, com o português a iniciar a partida no banco. Será que Paulo Fonseca vai jogar o trunfo chamado Kelvin? O jovem brasileiro tem jogado mais, ganha confiança e tem a favor toda a história que fez no ano passado frente ao... Benfica. A colocação ou não do jogador é uma dúvida presente no pensamento dos portistas.
Com o Sporting a assistir ao clássico com todo o interesse, o Benfica-FC Porto tem tudo para ser um grande jogo. Seria a melhor homenagem que Eusébio poderia ter: um clássico de grande espetacularidade, onde os jogadores são as estrelas maiores. Que vença o melhor.
O CRAQUE
Eusébio intemporal
Portugal perdeu um dos seus maiores embaixadores. A par de Pelé e Maradona, Eusébio foi um dos três futebolistas que vi fazerem coisas que os outros nunca conseguiram fazer. Um herói intemporal que ficará na mente de todos os portugueses e que deixa um legado histórico para as próximas gerações. Tornou-se um mito como jogador, levou o nome de Portugal ao Mundo e reforçou o estatuto com a humildade e correção que o caracterizavam. Não é por acaso que sempre foi uma figura unânime entre todos os portugueses. Marcante dentro e fora do campo.
A JOGADA
Ronaldo e a Bola de Ouro
Cristiano Ronaldo confirmou que irá marcar presença na gala de atribuição da Bola de Ouro, que se realiza na próxima segunda-feira. Uma decisão que, independentemente do resultado que vier a verificar-se, revela fair play do internacional português. A sua ausência seria certamente criticada e um futebolista com a maturidade de Cristiano Ronaldo já compreendeu que, mais do que ganhar prémios, importa é continuar a jogar bem e a marcar golos pelo seu clube e seleção, sempre ao mais alto nível. Esse é o maior reconhecimento que pode ter e só depende dele.
A DÚVIDA
Compras e vendas depois do clássico
À exceção do regresso de Ricardo Quaresma ao Dragão, FC Porto e Benfica ainda não se movimentaram no mercado de transferências. As eventuais entradas e saídas de jogadores foram adiadas para depois do clássico, com os dirigentes a protelarem decisões com o intuito de não perturbarem as respetivas equipas técnicas e jogadores, deixando-os totalmente concentrados no duelo de domingo. O próprio resultado do jogo poderá acelerar algumas transferências. Surgirão reforços ou será que águias e dragões vão vender alguma das suas pérolas para compensar o fracasso na Liga dos Campeões?