Cristiano Ronaldo diz que, se tivesse uma mala de dinheiro, apostava-a na vitória de Portugal ou de Espanha no Europeu. Bom, Ronaldo até tem uma mala de dinheiro. Tem até várias. Mas se cada um nós tivesse uma mala assim, investia em Portugal?
Assumamo-lo: Alemanha e Holanda são favoritas no nosso grupo, o que significa que, como Peter Schmeichel disse, Portugal e Dinamarca deverão ficar de fora no Euro na fase de grupos. Não são só as casas de apostas que indiciam isso. É também a consistência que as equipas demonstraram nos seus últimos jogos.
Portugal precisa de jogar muito mais do que hoje vale para passar à fase seguinte. Sem uma equipa de base (como a Alemanha tem no Bayern, por exemplo), a Seleção Nacional não tem conseguido fazer com que a soma de grandes jogadores, que temos, resulta numa grande equipa, que não temos.
O maior aliado de Portugal pode ser a “descoberta” recente de que não somos tão bons como nos víamos a nós próprios. O jogo com a Turquia bastou-nos para esse choque com a realidade. E esse orgulho, se tiver como alimento a humildade, é um poderoso motor. Começando contra a Alemanha.
A Alemanha dominadora na Europa, política e economicamente; a Alemanha que se refere a Portugal com arrogância, seja como País intervencionado pela “troika”, seja como equipa de futebol que os germânicos desdenham, merece levar duas boladas portuguesas para casa. E a vontade dos jogadores portugueses em fazer essa oferenda aos “deuses” pode ser melhor que um tónico.
Seja com a “prata” das apostas de Ronaldo ou com o “níquel” que as camisolas terão, o importante é ter atitude, garra e humildade. E é aí que entra Paulo Bento e sua capacidade de, mais do que selecionar jogadores, pô-los a jogar com alma. Por eles e por nós. Por Portugal.