Mãos limpas?

Mãos limpas?

Dirão que é vingança. Ajuste de contas. Desvio de atenções. Dirão que o personagem está a construir-se a si mesmo. A afirmar-se como líder. A consolidar a imagem de homem sem medo. Eu digo que é coerência. Bruno de Carvalho está a fazer aquilo que disse que faria. A auditoria à gestão ainda não chegou e já há propostas de processos a antigos dirigentes do Sporting.

A proposta feita esta semana à assembleia geral para aprovar um processo da SAD contra os ex-administradores Godinho Lopes, Luís Duque, Nobre Guedes e Carlos Freitas é coisa nunca vista. E contraria aqueles que achavam que Carvalho não queria mais remexer no passado, preparando-se para engavetar as suspeitas e até as conclusões da auditoria à gestão anterior. Se é verdade que há indícios fortes de ilegalidade, então Bruno de Carvalho não fez mais do que a sua obrigação, a de denúncia das práticas que podem constituir suspeitas de gestão danosa.

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Os casos referem-se a contratos de jogadores que andavam meio coxos. Alberto Rodríguez foi contratado em dificuldades físicas. Jeffren foi contratado por um pequeno balúrdio sem que sequer fosse sujeito a exames médicos e esteve sucessivamente lesionado. Izmailov praticamente não estava a jogar, por problemas disciplinares e físicos, quando lhe renovaram o contrato a dois anos do final e lhe deram um aumento salarial enorme, com pagamento de comissões a agentes e com um contrato de gestão de direitos de imagem.

Má gestão foi de certeza. Mas gestão danosa é outra coisa: é crime. E agora são os sócios que escolherão se o assunto segue para os tribunais. Nesse caso, ficará claro que o julgamento que interessa não é apenas o das urnas. O Sporting andou muitos anos em mãos muito estranhas, por cima (e por baixo?) de mesas onde se assinaram contratos ruinosos – mas só para o clube.

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