Posso contar uma história? É curta, verídica e não tem sequer 24 horas. E tem a ver com a forma como se ama futebol. Ou dito de outra forma, há coisas com que não se brinca e com os clubes de cada um não se brinca.
O “Jornal de Negócios” está publicar, este Verão, a lista dos 50 Mais Poderosos da Economia Portuguesa. É revelado um por dia, sendo que os “poderosos” não sabem se saem, quando saem nem como saem. Bom, ontem publicámos o perfil de António Mota, o “poderoso” presidente não executivo da “poderosa” Mota-Engil, que, já agora, tem como presidente executivo o “poderoso” Jorge Coelho. Em quatro páginas, detalhámos a vida de António Mota, as suas preferências, rede de poder, a política, os segredos, os aliados, que gosta de comer, adora África, é do PSD, adepto do Porto... E pronto, siga a Marinha.
Não “siga” não. Ao fim da manhã, recebo um telefonema: “Ó homem, você não sabe o que fez!” Era um amigo dele. A voz foi ficando grave e as minhas sobrancelhas contraídas: “Há um erro grave, gravíssimo, colossal no texto, isto é uma bronca, ele está danado, de cabeça perdida!”. Nesta altura já eu imaginava processos judiciais, que me tinha enganado numa intrincada referência à Operação Furacão ou ao financiamento partidário. “É que o homem não é do Porto! É doeeeeeente do Benfica!” Finalmente, a voz distendeu-se e começou a rir. “Lá na empresa os portistas estão todos a gozar com ele.”
O meu caro diretor do Record que me perdoe que eu aproveite para pedir desculpa a António Mota. Mas os caros leitores sabem que isto pode ser coisa para rasgar as tripas e o coração a um homem. Jorge Coelho (que também é “doeeeeeente”, mas do Sporting) também sabe. E eu, embates com poderosos na economia ainda vá. No futebol é que nem pensar: é poder de mais!