Mou, um de nós

Mou, um de nós

Está preparado para ler mais um texto sobre Mourinho? Sobre o melhor treinador de futebol do Mundo? Sobre o poliglota que, no momento da glória, fala a sua – a nossa – língua?

Mourinho já se havia coroado a si mesmo, como Napoleão, quando escolheu o cognome de “O Especial”. Estava então a sair de Portugal. Depois de conquistar Inglaterra e Itália, e agora já em Espanha, o homem que jamais será “Mister Simpatia” é todavia eleito como o melhor treinador do Mundo. E, ao contrário do “bad english” de José Sócrates, fala ao Mundo na língua de Camões – porque é “um orgulhoso português”. Muitos portugueses quase rebentaram de orgulho.

PUB

Calhou ser esta segunda-feira, estava o País nas vésperas de realizar uma emissão de dívida pública de resultados então ainda por conhecer. Se dependesse de José Mourinho, o nosso crédito era ilimitado. Ele é um dos nossos melhores ativos, um “rating A”, sem risco, um líder exemplar num País com falta de gestores de qualidade, um motivador que nasceu na mais desmotivada nação.

Mourinho, como Cristiano Ronaldo (que para o ano há-de subir àquele palco...), são gigantes entre pigmeus. Portugal anda com falta de bons exemplos. As instituições deterioram-se, os cofres esvaziam-se, os políticos enlameiam-se, as referências na imprensa internacional chegam a ser humilhantes. Ainda ontem, o “The Economist” fez uma brincadeira com o acrónimo PIGS (iniciais dos países aflitos Portugal, Irlanda, Grécia e Espanha ou, à letra, “porcos”) e reduziu o sucesso da emissão de dívida portuguesa a uma notícia intitulada “O porquinho foi ao mercado”. Era esfregar-lhes com o Mourinho...

Mourinho é dos melhores de nós. Mas, na hora da consagração, deixou isso claro: ele é um de nós. Salve, Mourinho!

PUB

Deixe o seu comentário
PUB
PUB