O novo ano já aí está e, para não variar, vamos seguindo pela televisão as incidências do futebol inglês. Verdade seja dita que é bem melhor do que gramar alguns duelos do nosso pontapé da bola que, para além da escassa qualidade, só arrastam meia dúzia de corajosos ao estádio. Adiante…
Em Inglaterra, no que ao desporto-rei diz respeito, 2007 começou diferente do habitual: o Chelsea não aparece no comando da “Premier League”. Tendo em conta o que se passou nas temporadas anteriores, ver a formação de Mourinho em segundo lugar é notícia. E logo das grandes, embora seja justo dizer que Liverpool ou Arsenal, só para citar alguns dos emblemas mais prestigiados e ambiciosos da prova, bem gostariam de estar na situação dos "blues".
Mas, mesmo sabendo-se que o segundo posto não é assim tão mau e que a distância para o Manchester United é perfeitamente recuperável, é preciso admitir que o clima em Stamford Bridge não está fácil. As declarações de Mourinho após o empate caseiro com o Fulham reflectiram isso mesmo. Curto e grosso, o técnico português não poupou críticas aos seus homens; assumiu que o plantel é escasso; admitiu que no ataque a equipa “só tem” Drogba; criticou a forma como a defesa tem encaixado golos e solicitou reforços para breve.
Mourinho está habituado a vencer. A sua “programação” não contempla posições secundárias, razão pela qual se entende que se sinta desalentado só porque não lidera a pauta classificativa. Mas, ao mesmo tempo, também está como gosta: rodeado de pressão, sendo que ele próprio, através das palavras ou dos actos, muito contribui para isso, “picando” a sua gente, assim como os adversários. Resta saber se os futebolistas irão conseguir responder à altura do desafio. Normalmente é assim, mas a verdade é que o actual Chelsea – como aqui defendi quando se soube que os londrinos seriam o próximo adversário do FC Porto na “Champions” – não está tão forte quanto costume. Mas, leiam bem: não está tão forte. Tal significa “apenas” que já se exibiu bastante melhor. Ainda por cima, o confronto com os campeões portugueses ainda está longe. Jesualdo Ferreira, se pudesse, marcava a eliminatória para amanhã…
As lesões têm sido um inimigo adicional para Mourinho, mas a escolha errada de alguns reforços (aquele defesa holandês que entre muitos pontapés nos opositores também acerta na bola às vezes é o exemplo mais flagrante); a dispensa do quarto central (Huth) e a opção por um grupo de trabalho deveras escasso para tantos compromissos foram deslizes cometidos pelo “Special One”. Afinal de contas, ele também é humano e tem falhas. Resta-lhe, agora, responder em conformidade às adversidades. José Mourinho tem um 2007 “duro de roer” à sua frente, mas convém que não menosprezem o seu espírito combativo e vencedor. O homem, independentemente do “auxílio” (entenda-se contratações) que possa receber do patrão russo, não vai atirar a toalha ao chão. Seja nas competições britânicas ou na “Champions”. E palpita-me que há-de conquistar qualquer coisa…, embora já tenho lido as previsões cinzentas de uma bruxa, adivinha, cartomante ou algo do género que vaticina "um ano descontrolado para Mourinho no Chelsea."
PS – O Newcastle já tratou de dar uma mãozinha ao Chelsea, impondo um empate ao Manchester United numa partida simplesmente fantástica. Tenho pena que, por vezes, os jogos de futebol acabem empatados. Uns prolongamentos até surgir um vencedor, à imagem do basquetebol, vinham mesmo a calhar!