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Mourinho na Selecção

Mourinho na Selecção

No começo desta semana, ao cabo de mais de 5 (!) meses de impasse, depois da declarações de Paulo Bento segundo as quais não iria ao Europeu sem a sua situação contratual resolvida -- como se não existisse contrato... -- o vice-presidente da FPF, Humberto Coelho, veio retomar o assunto, dizendo que ‘há vontade de renovar’ e prometendo mais informações para breve. Repito: ‘para breve’. Parece brincadeira.

Se a FPF tem vontade de renovar antes do Europeu, cedendo ao ultimato do seleccionador suscitado em 15 de Novembro do ano passado, logo após a concretização do apuramento frente à Bósnia, por que razão ainda não o fez? Falta de tempo não é certamente, porque o impasse já dura há 163 dias, e mesmo que o clausulado seja extenso qualquer-escritório-de-advogados-de-vão-de-escada teria resolvido o assunto em menos de uma semana...

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A possibilidade de não haver discordância e, ao invés, um entendimento entre as partes, não divulgado publicamente, ganha terreno. Mas, se for apenas a questão do ‘timing’ do anúncio a estar em causa, a perplexidade é ainda maior. Porquê?

O medo da FPF ser confrontada por ter cedido às exigências de Paulo Bento? Agora ou mais tarde, se assim for, esta direcção da FPF e o seu presidente Fernando Gomes, no caso de haver renovação antes do Euro, ficariam sempre marcados por se deixarem conduzir e terem cedido às exigências do seleccionador. Deixar esse anúncio para o momento do arranque da prova, se for essa a ‘estratégia’, quando as atenções já estarão nos jogos, denota falta de coragem. A FPF não é um clube, não deve ser governado como um clube e tem obrigações perante os portugueses. Deve pugnar pela transparência e não andar com ‘jogo escondido’.

Há outra hipótese, que é a FPF não renovar o contrato antes do Euro e confiar na certeza de que Paulo Bento não deixará a Selecção Nacional ‘de calças na mãos’, a poucos dias do começo da prova, num momento tão inoportuno e delicado. Parece demasiado arriscado e não acredito que a estrutura federativa mais profissional de sempre estivesse a correr tamanho risco.

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O impasse é ridículo e não fosse Portugal um país de ‘brandos costumes’ e de uma brutal reverência aos poderes, já o assunto se tinha transformado em escândalo, sobretudo à medida que se aproxima a competição e o momento da divulgação dos 23 jogadores portugueses, marcada para daqui a 17 dias (13 de Maio).

AFPF e o seleccionador têm, pois, duas semanas, sensivelmente, para esclarecer os portugueses sobre esta matéria. E se nenhuma das partes o fizer quem tem mais a perder perante a opinião pública é o seleccionador, depois de todo o barulho que fez à volta deste assunto, quando garantiu a qualificação.

Haveria uma derradeira possibilidade, mas essa seria boa de mais: um impasse resultante de complexas negociações de modo a conseguir autorização do Real Madrid para Portugal poder ter José Mourinho no comando da Selecção durante o ‘Europeu’. Talvez seja um cenário inatingível, mas que era o melhor não tenho a mais pequena dúvida. Com Bento incluído.

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