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A tal maratona que Carlos Queiroz referiu vezes sem conta terminou. A questão é que, ao invés do que seria desejável e possível, Portugal não assegurou, desde já, a qualificação para a fase final do próximo Campeonato do Mundo. A boa notícia é que, contrariamente ao sucedido com os arrogantes suecos (Ibrahimovic deve estar muito arrependido de algumas frases que proferiu nos últimos tempos...) ou com os decadentes checos, a Selecção Nacional ainda está na corrida pelo apuramento. Por outras palavras, a longa maratona ainda vai ter mais uns quilómetros. Resta saber o que nos reserverá o sorteio de segunda-feira.
Bósnia, Eslovénia, Irlanda e Ucrânia são os adversários que estão na calha para o "playoff" e se convém não embandeirar em arco com o facto de Portugal ser, sem discussão, mais forte (e ter mais experiência), também é preciso assumir, sem rodeios, que qualquer um destes obstáculos é perfeitamente ultrapassável. "Basta" que o conjunto de Queiroz jogue o que está ao seu alcance e- mais importante ainda - consiga transformar em golos uma percentagem considerável das oportunidades que criar.
Entendo que, neste momento, não seja aconselhável aos responsáveis federativos avançar com o desejo de defrontar esta ou aquela equipa. Eu, que estou de fora, vou torcer para que os deuses da fortuna coloquem a Eslovénia no nosso caminho. É que os restantes três equipas, por esta ou aquela razão, parecem-me bem mais complicadas:
- A Ucrânia deve ser o "osso" mais duro. Por ter bons jogadores; por ter conseguido (nos últimos anos) fortalecer o campeonato local de modo a tornar os seus futebolistas mais competitivos e experientes; por possuir uma equipa bem dotada fisicamente; por já terem tido a oportunidade (num passado recente) de "enganar" a Selecção Nacional e ainda porque, daqui a um mês, jogar na gélida Kiev poder ser um trunfo adicional para Shevchenko, Milevskiy e companhia.
- A Irlanda também pode ser um adversário chato. É verdade que já não conta com núcleo muito coeso como nos finais dos anos 80 do século passado, altura em que era presença regular em Europeus e Mundiais. No entanto, dentro do que é comum com todas as formações britânicas, os irlandeses praticam um futebol muito musculado, com forte aposta no jogo aéreo e sem receio de encarar opositores teoricamente mais poderosos. Depois, contam ainda com o apoio incondicional dos seus adeptos (em casa e fora) e com o saber acumulado de um treinador como Trapattoni, uma "raposa" habituada a provocar dissabores a muito boa gente.
- A Bósnia, à primeira vista, parece ser um "freguês" muito apetecível, até porque não está minimamente habituado a andar em patamares tão altos. O problema é que esta sua presença numa fase tão adiantada apenas confirma a óbvia ascensão de uma equipa que, entre outros jogadores interessantes, possui estrelas como Dzeko e Ibisevic (dois goleadores "lapidados" no futebol alemão). O enorme fervor nacionalista de um país recente e as esperadas más condições atmosféricas também não devem ajudar quem tiver de jogar com os bósnios.
Bom, venha quem vier, Portugal tem é de conseguir ser melhor e seguir em frente. O Mundial espera por nós. E os portugueses esperam ver a Selecção na África do Sul. Outro desfecho fará muito mal a uma sociedade que, por norma, já anda quase sempre deprimida.
PS - Pedro Mendes parece ter ganho, em definitivo, um espaço na equipa de Queiroz. É de elementar justiça. Talvez menos justo, mas compreensível (e esperado, conforme referi anteriormente) é a perda de titularidade de Bruno Alves face ao recuo de Pepe para jogar ao lado de Ricardo Carvalho. Mas esta é uma boa dor de cabeça para o seleccionador. Ter várias (e boas) soluções para um lugar não incomoda. Mau é continuarmos à espera de "descobrir" um verdadeiro lateral esquerdo...