Naide, Gustavo e o fado

Esta terça-feira, dia 19 de Agosto de 2008, vai ficar na história do desporto nacional. Mas, ao invés do que todos desejávamos, não pelas razões certas. O que aconteceu em Pequim a dois dos melhores desportistas lusos dos últimos anos foi simplesmente inacreditável. Tanto que, horas depois, continuo a ter dificuldades em perceber (e aceitar) o que aconteceu.

Naide Gomes era, na minha opinião, a aposta mais óbvia da Missão nacional para conquistar uma medalha de ouro na China. Sem desprimor para Telma Monteiro, Vanessa Fernandes ou Nelson Évora, era a saltadora leonina - em grande forma e com a melhor marca mundial do ano - quem tinha maiores possibilidades de deixar toda a concorrência para trás.

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E nem o facto de a ter visto realizar uma qualificação verdadeiramente surreal me leva a mudar de opinião. Caso Naide tivesse feito a marca necessária para avançar rumo à final, a medalha de ouro não fugia. Os dois saltos nulos (não era preciso arriscar tanto...) ameaçaram fortemente o recorde nacional. Por outras palavras, na final, penso que um ou dois pulos "a sério" seriam suficientes para garantir o ouro. No mínimo, uma medalha estaria assegurada. Mas, agora, tudo isso não passam de suposições, de "feelings".

Mas, nesta hora de choque interessa que a grande campeã recupere do pesadelo~e se concentre no futuro. Há Europeus e Mundias para conquistar e, em 2012, mesmo com 32 anos, Naide terá, seguramente, oportunidade de acertar as contas com a história.

E o que penso estar ao alcance da sportinguista, também serve para Gustavo Lima. Ficar em quarto lugar a 1 mísero ponto da medalha de bronze na classe Laser é demasiado azar. Ainda por cima para alguém que, nas anteriores participações olímpicas, ficara em sexto e em quinto! Mas, desistir, não é solução.

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Participante numa classe com muitas embarcações - o que leva a que qualquer resultado menos bom tenha um peso enorme -, Gustavo foi traído pelo vento que, de repente, mudou e "atirou" com um argentino para a sua frente. A medalha desapareceu sem ele poder fazer nada.

Entendo o desespero do velejador, pois bastava um só lugar acima em qualquer uma das 11 regatas realizadas e tudo seria diferente. Compreendo também o seu desalento por, ao invés do que se passa com os seus principais rivais, passar a vida a treinar sozinho durante 6 a 8 horas por dia. Mas, desistir, não é a solução.

Lima é um atleta notável, um dos poucos que trabalham com o único pensamento em vencer, em ser o melhor, em colocar o nome de Portugal lá em cima. E são estes que merecem ser apoiados, nomeadamente nas horas em que a sorte os deixou desamparados. Estes, ao contrário dos "turistas" que foram passear a Pequim, choram quando não conseguem os resultados que o seu esforço justificava. E isso demonstra a sua grandeza.

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