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Não aguentamos mais "surpresas"

Não aguentamos mais "surpresas"

O jogo com a Alemanha pôs a nu as limitações, os erros de fabrico e as contradições do processo de construção da Selecção Nacional. Não vale a pena fazer como a avestruz e meter a cabeça debaixo da areia. A verdade é que, na partida com a Alemanha, tudo o que aconteceu não foi exactamente uma surpresa. A começar pelo descontrolo de Pepe. O unanimismo é cego e faz mal.

RUI PATRÍCIO “DESCONECTADO” – O primeiro sinal de alguma “falta de cola” na equipa portuguesa começou no guarda-redes. Nervoso, trapalhão, desligado do resto da equipa. Não há nada que justifique a “falta de baliza” de Rui Patrício na Selecção Nacional, após o jogo do playoff na Suécia, cuja situação se agrava pelo facto de o Sporting ter estado ausente esta época de qualquer contacto internacional. Alguma dúvida de que, sendo a aposta inicial para titular da baliza de Portugal, deveria ter rodado mais nos jogos de preparação?

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PENÁLTI E ARBITRAGEM – Houve a tentação de justificar a derrocada através da arbitragem do sérvio Mazic. A exibição de Portugal ficou tão longe das expectativas mínimas que desta vez nem esse expediente resultou. Quando a Selecção finalmente se poderia agarrar a esse argumento já o desequilíbrio era evidente no marcador (3-0). Esta hábito, visível em todo o jogo, dentro e fora do campo (banco), de protestar por tudo e por nada, é algo que a FPF não consegue erradicar. E, neste caso, a responsabilidade é absoluta. Os jogadores não levam bons exemplos dos clubes onde jogam, mas a FPF, ao longo da história das selecções nacionais, nunca sancionou como devia os maus comportamentos. E há muitos, mesmo nos pós-Saltillo. Os jogadores só devem ser protegidos quando merecem ser protegidos.

PEPE... OUTRA VEZ – Se protestar por tudo e por nada as decisões dos árbitros é algo que parece fazer parte da cultura desportiva lusa, há outro aspecto – ainda mais grave – que se repete com inusitada frequência nestes palcos maiores do futebol internacional: o descontrolo emocional. Pepe é um (mau) exemplo de reincidência. Também é um privilegiado. Aconteça o que acontecer, a menos que esteja lesionado, o seu espaço na Selecção aparece reservado, sobretudo neste tempo de domínio absoluto de Cristiano Ronaldo. Portugal perdia por 2-0, o prejuízo já era grande, mas não satisfeito com isso Pepe tinha de dar asas ao superego. A seguir, o que fez a FPF a correr? Tentar amortecer junto da FIFA o castigo ao jogador. Nada mau, para um atleta que tirou a Portugal qualquer veleidade de reentrar na discussão do jogo. Esta FPF, de Fernando Gomes, está neste aspecto igual ou pior do que a FPF de Gilberto Madaíl.

DESCONTROLO TÁCTICO – Tanta vontade de manter a equipa unida, tanta vontade em testar soluções nos jogos de preparação e, quando o seleccionador é chamado a resolver uma questão aparentemente simples, após a expulsão de Pepe, fez recuar Meireles para defesa-central. Portugal sofreu o terceiro golo e hipotecou qualquer possibilidade de reacção. Quando o fez ao intervalo (entrada de Ricardo Costa), já era tarde. Aliás, no auge do conservadorismo e de alguma soberba, não fazer nada, nem estratégica nem tacticamente, para dar mais densidade e solidez ao meio-campo, quando se tinha pela frente a Alemanha – a excelentíssima senhora dona Alemanha – é andar nas nuvens. Era evidente que o jogo com a Alemanha mereceria outra abordagem táctica e estratégica (uma tese que defendi antes do jogo), mas o seleccionador assim não o entendeu e Portugal colheu o que semeou.

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QUESTÃO FÍSICA – Havia e há uma desconformidade latente entre jogadores sobrecarregados com uma época dura e exigente (nos seus clubes) e atletas pouco utilizados. Acreditar em milagres e/ou no “espírito de grupo” é uma hipótese, mas trata-se de um risco enorme. O “espírito de grupo” não resolve o problema do ritmo ou a falta dele.

COENTRÃO SAI E... – A polivalência, no futebol, é um argumento válido, mas a verdade é que, quando faltasse Coentrão, não haveria entre os 23 quem o substituísse, no sentido de a equipa não perder o que de mais importante o lateral do Real Madrid empresta(va) à equipa: profundidade ao corredor e ousadia no espaço ofensivo. Não é isso que certamente André Almeida e/ou Miguel Veloso podem dar. E é quando a equipa vai precisar de atacar mais (Estados Unidos e Gana) que o logro se revela.

PONTA-DE-LANÇA – O futebol europeu e mundial está cheio de exemplos de que o importante é ter bons avançados mesmo que não sejam... pontas-de-lança.

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RONALDO – Aposta clara na dependência total. Resultou na Suécia, em Novembro, quando o Real Madrid ainda não tinha entrado em “despesas extras”, mas em Junho a situação é diferente. Não estamos perante uma questão meramente física e clínica. Estamos perante uma aposta clara da FPF e dos seus responsáveis. O esvaziamento de massa crítica interna só seria uma solução quando acompanhada por indiscutível qualidade futebolística. E esta é a grande responsabilidade da idolátrica FPF. Alguma surpresa?

JARDIM DAS ESTRELAS - ****

Bom futebol

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O Mundial já leva oito dias de competição e o balanço daquilo que se tem visto sobre os relvados é francamente positivo. Bons jogos, muitos golos e, em condições climatéricas adversas, um nível de competitividade apreciável. O Uruguai-Inglaterra foi o melhor de todos os encontros até agora realizados, em intensidade, em aplicação, em qualidade técnica-táctica. As equipas do continente americano estão a ganhar vantagem, no sempre interessante confronto com as selecções europeias. O Chile, com Vidal, Valdivia, Vargas e Alexis Sanchez, e a Colômbia, com James, Gutiérrez, Quadrado e Quintero, e ainda a Costa Rica, apresentam um futebol equilibrado e convincente em todas as vertentes. São exemplos de defender e atacar bem, com todos os jogadores empenhados em ambos os processos

O CACTO

A abdicação

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Casillas nunca mais foi o mesmo debaixo da maldição de Mourinho. Sérgio Ramos sem rumo nem parceiro. Xavi irrelevante. David Silva e Iniesta desinteressados em recuperar a bola. Xabi Alonso com problemas físicos e um Busquets vulgaríssimo. Diego Costa, deslocado, deu a sensação de ser jogador de... outra equipa. Jogadores cansados e pouco focados e um treinador (Del Bosque) incapaz de evitar o naufrágio. A Espanha não jogou, mas é preciso não esquecer o que La Roja conseguiu, com estes mesmos jogadores, nos últimos anos. É preciso acção, mas também... não perder a memória.

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