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Negociação dura

Negociação dura

O que se está a passar no Sporting é mais simples do que parece: uma negociação entre um devedor e os seus credores. O que não é simples é a forma de negociação. Porque o devedor tem uma força especial por ser um grande clube de futebol; e porque a mediatização faz parte do braço-de-ferro.

Bruno de Carvalho está a fazer o que se esperava: a radicalizar a negociação. E está a encostar os bancos a um canto que não esperavam, o de maus da fita. Os presidentes do BES e do BCP devem estar com a cabeça de molho, pois o que lhes deve apetecer fazer – mandar passear um devedor que trata mal quem o sustenta há anos – é impensável. Essa é a força de Bruno de Carvalho, a força da massa associativa. E ele não só está disposto a usá-la, como já está a usá-la.

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Na conferência de imprensa de ontem, o presidente do Sporting deixou ameaças implícitas. Uma é de que o clube só existirá se os credores quiserem, uma vez que “está tudo dado de garantia”: se forem inflexíveis, o banco segue para processo de insolvência ou, no limite, de execução. Obviamente, isto nunca acontecerá. A outra ameaça é a da auditoria de gestão: ela significa que podem ser descobertos negócios e negociatas que envolvem “históricos” sportinguistas, em comissões de compra e venda de jogadores ou em contratos de fornecimentos.

Estas são as pressões dos dois lados, entre bancos que querem recuperar o seu dinheiro e um presidente que quer recuperar o seu clube. A coisa vai ser dura. E não vai ser bonita.

PS: Os jornalistas não são flores de estufa, mas convidar adeptos para conferências de imprensa é uma intimidação medieval, tratá-los como idiotas é uma idiotice e desmentir o que membros do próprio clube haviam confirmado é falta de ética. Bruno de Carvalho vai mesmo seguir esse caminho?

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