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Negócios da China também em Portugal

Pelos vistos, Fernando Seara tinha razão quando, logo após o anúncio da OPA de Joe Berardo, anunciou, na televisão, que o empresário madeirense se tinha limitado a antecipar uma OPA exterior ao universo benfiquista.

Não sei se o autarca de Sintra já sabia que na longínqua China alguém desejava ter o controlo financeiro do clube das águias ou se a sua informação apontava no sentido de outros investidores. A verdade é que, pelos visto, há mesmo quem esteja interessado em investir forte no futebol português. Confesso a minha admiração.

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Sempre achei esta coisa das SAD's uma ideia estranha e de difícil sucesso num país como o nosso. Jamais gostei de imaginar os clubes portugueses geridos por chineses, russos ou espanhóis (veja-se o bonito exemplo do Beira-Mar...), nem tão-pouco aprecio um modelo em que não sejam os sócios, através de eleições e assembleias gerais, a decidir os destinos das colectividades. Mas, convenhamos, se calhar tenho uma visão demasiado romântica da questão.

Quem olhar para Inglaterra facilmente constata que a maioria dos clubes de nomeada foram, nos últimos tempos, adquiridos por milionários estrangeiros. Tal como eu, muitos adeptos britânicos desconfiaram das boas intenções dos empresários e sairam às ruas a protestar. Mas, paulatinamente, foram mudando de atitude. E, hoje, lá estão eles a lotar os estádios; a apoiar, como sempre, as equipas, orgulhosos de terem uma Liga repleta de espectáculo e emoção.

Foi a entrada desses investidores exteriores, carregados de dinheiro fresco, que tornou o Chelsea uma equipa do topo; que permitiu ao Manchester United comprar, num só dia, Anderson e Nani por 55 milhões de euros e que, recentemente, possibilitou ao Liverpool adquirir, por uma verba louca, o espanhol Fernando Torres.

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Gostem ou não do modelo de gestão, o que os adeptos querem é que os seus clubes possam comprar jogadores de nomeada e, com as "armas" certas, atacar títulos, nacionais e internacionais. O resto, para eles, é secundário. A visão é demasiado capitalista para o meu gosto, mas bastante pragmática. Desde que apareçam os homens certos, este pode ser o caminho a seguir pelos principais clubes portugueses. Com a nossa economia aos soluços, não acredito que seja o dinheiro luso a levar águias, dragões ou leões para a elite europeia. E, como diz o povo, contra factos não há argumentos...

PS - Cada vez que há o anúncio de um OPA sobre o Benfica, as acções "disparam" na Bolsa. Creio que nos últimos dias muita gente começou a entender o que significa "especulação". Não estou com isto a dizer que as intenções de Berardo ou dos chineses sejam falsas. Apenas destaco que, não tendo acontecido ainda rigorosamente nada de efectivo, os papéis da SAD encarnada valorizaram imenso nas últimas semanas. Não admira que quem tenha a arte de saber movimentar-se nesta área se transforme, em tempo recorde, em milionário.

PS 1 - Rodolfo Moura demitiu-se do Benfica. Um enfermeiro, fisioterapeuta ou cinesioterapeuta bater com a porta num clube raramente é notícia. Mas com Rodolfo é diferente. Afinal de contas, não há muito gente que consiga, ao longo de uma vida, trabalhar para FC Porto, Sporting e Benfica. E ter sucesso nas três casas. Não sei se, como consta por aí, o visado até mandava nos médicos (o que acontecer seria uma verdadeira aberração), mas tenho um palpite que, com José Veiga próximo do plantel e não limitado às acções exteriores, a demissão não teria acontecido.

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