Opinião
Pedro Santos Guerreiro Jornalista

No grelhador

Quando o Porto ataca através da newsletter diária e o Benfica contra-ataca por Rui Gomes da Silva, não é uma guerra, é uma picardia o que sobeja do clássico. No futebol, uma guerra faz-se sempre entre presidentes. Mas desta vez, não há muito que contestar. O Porto ganhou, o Porto mereceu ganhar; o Benfica perdeu, o Benfica mereceu perder.

Cada cabeça sua sentença e a minha é de que o jogo foi fraco e que, embora tenha havido demasiada dureza do lado do Porto, em lances que podiam ter sido mais amarelados, o Benfica estoirou e arrastou-se ao longo da segunda parte, sem pernas para jogar nem banco para refrescar. Foi penoso para um benfiquista assistir à segunda parte. A equipa que estava no campo é bicampeã mas não jogou à campeão. Mas partir daí para uma comparação entre Jorge Jesus e Rui Vitória é um exercício cruel, porque o treinador de hoje não tem a equipa que tinha o treinador de ontem. O ataque depende do (imenso) rasgo de Nico Gaitán, a defesa assenta no pilar Luisão, que já não vai para novo. Os miúdos têm estado bem, mas ainda têm mais pernas que cabeça.

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Olhando para os orçamentos, o Porto tem obrigação de ser campeão este ano. Não se sabe ainda hoje de onde vem tanto dinheiro nestes tempos de escassez, mas o Porto conseguiu um conjunto de jogadores que, com Lopetegui (ou, como muitos dizem, apesar de Lopetegui…), podem constituir uma equipa que na Champions consiga ganhar jogos – logo ganhar dinheiro. Muito mais difícil é a vida de Rui Vitória. Grelhá-lo depois de jogos como este é mais do que precoce – é injusto. O Benfica pode este ano passar as passas do Algarve, de Lisboa – e, como se viu, também do Porto.

Por Pedro Santos Guerreiro
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