Opinião
Germano Almeida Comentador NOW

No lado errado do Mundial

Dez anos e três dias depois do título europeu português, fica impossível não lembrar que um pormenor ditou a colocação da Seleção Nacional no ramo "certo". Se, há precisamente uma década, termos ficado do lado menos custoso da fase a eliminar (Croácia, Polónia e País de Gales) parece ter aberto o caminho para a surpresa do triunfo luso frente à França na final, desta vez o segundo lugar em grupo perfeitamente acessível para Portugal ter ficado em primeiro fez-nos cair para o lado errado do Mundial. Ter passado a Croácia já foi um susto (o Gana teria sido menos problemático), levar com Espanha nos oitavos já foi demais para um Portugal abaixo do que realmente vale. Alguém duvida que defrontar a Suíça nos oitavos (e depois Argentina e Inglaterra em vez de Bélgica e França) poderia ter proporcionado outro destino? O novo selecionador, Jorge Jesus, pelo menos, nem hesitou: "O primeiro lugar do grupo teria sido importantíssimo." Como na canção de Jorge Palma, a falta de exposição ao risco atirou o então Portugal de Martínez para "o lado errado da noite". Leia-se, no caso, para o lado errado deste Mundial.

A fase a eliminar já nos revelou surpresas excitantes: a execução perfeita de Haaland no segundo golo ao Brasil; os dois golos do Egito (e quase, quase o 3-0) que quase atiraram a campeã do Mundo para fora logo nos oitavos. E confirmações entusiasmantes: Mbappé e Dembelé a alcandorarem a França para o estatuto de principal favorita; os dois golos decisivos de Merino que ofereceram à Espanha vitórias cirúrgicas diante de Portugal e Bélgica, sempre evitando o prolongamento; o extraordinário México-Inglaterra. Depois dos jogaços frente a Brasil, Haiti, Escócia, Países Baixos e Canadá, esperava mais de Marrocos diante da França.

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E agora? O França-Espanha não é tanto uma "final antecipada", porque a agulha parece pender para o lado gaulês (só mesmo pelo sub-rendimento de Yamal, Pedri e Williams). Mas não me admirava que quem vencer essa meia-final venha a ser o próximo campeão do mundo.

O Inglaterra-Noruega foi um grande jogo. O golaço de Schjelderup alimentou o sonho nórdico, mas Bellinghham provou, por duas, vezes, que é mesmo um dos melhores avançados do mundo. A Argentina demorou, mas acabou por confirmar favoritismo sobre a Suíça. Dado relevante: ingleses e argentinos vão para as 'meias' com prolongamentos em cima. Franceses e espanhóis não. 

Por Germano Almeida
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