Poderia ter sido uma mentira de 1 de abril, mas é mesmo verdade. Desde o início deste mês, a FIFA passou a reconhecer nos seus estatutos a figura do "intermediário de jogadores". Isto significa que a partir de agora qualquer pessoa poderá participar em transferências de jogadores sem necessidade de licenças, exames ou provas de acesso. É o fim dos agentes FIFA.
O cenário agora é este: com ou sem formação e experiência na área, nem precisando de apresentar percurso profissional, cadastro ou prova de caráter e boa reputação, qualquer um se pode tornar intermediário e fazer contratos de representação desportiva. A pergunta imediata é esta: onde está a transparência e que tipo de práticas a FIFA está a querer incentivar? Fica a sensação de que está aberta uma fonte de problemas.
Uma solução destas dificilmente agradará a clubes, atletas e mesmo às federações nacionais, que até agora iam contabilizando os agentes de jogadores existentes e observando a sua atividade e honorários cobrados. Com esta intervenção da FIFA, os intermediários passam a ter via aberta para uma atividade quase sem regulamentação. Em Portugal, a FPF exigirá o registo dos intermediários, o pagamento de uma taxa de mil euros e criará a Comissão de Intermediários. Mas será isso suficiente?
A FIFA sentiu que a maioria das pessoas envolvidas nas transferências de jogadores no mercado internacional não tinha licença de agente. E em vez de apertar o cerco aos prevaricadores, optou pelo contrário: via aberta para todos, terminando com o seu sistema de licenciamento. E agora, os 6.000 agentes FIFA, que estudaram, fizeram exames e pagaram licenças terão concorrência aberta a qualquer habitante do Planeta. Trata-se de um convite aberto a pessoas que não querem saber nem gostam de futebol, mas que queiram ganhar dinheiro com ele.
Os estatutos da FIFA são omissos no que respeita a qual será o órgão da instituição com competência para atuar sobre a atividade dos intermediários desportivos. E as dúvidas são muitas. Que funções poderão desempenhar estas figuras? Por exemplo, um dirigente de um clube poderá ser intermediário na venda de um jogador? Como resolver casos de conflitos de interesse? Muitas questões e poucas respostas para um problema que com o mercado de verão à porta se notará cada vez mais.
Além disso, sem a figura dos empresários, apesar das críticas que estes possam merecer, há um sério risco de haver um maior foco em negócios a todo o custo, do que na valorização das carreiras dos jogadores. O acompanhamento que os empresários fazem dos atletas da sua carteira, que é importante, deixa praticamente de ser necessário porque, no momento da venda, qualquer intermediário pode surgir para levar a comissão de uma transferência sem precisar de conhecer o jogador em causa. Isto é, no mínimo, ridículo.
Por outro lado, o Regulamento de Intermediários de Jogadores estabelece também limites às comissões e intermediações em transferências. Qualquer pessoa singular ou coletiva só poderá receber 3% do valor da transferência numa comissão ou 3% do valor total dos salários brutos que o jogador tenha a receber. E em contratos com menores de idade, os intermediários não poderão receber dinheiro. Medidas interessantes, tendo em conta que atualmente as comissões são milionárias e passam quase sempre os 10%, mas que correm todos os riscos de falhar em função da medida inicial que abre o espetro a negócios pouco transparentes. Um assunto para continuar a acompanhar e perceber se não se transforma numa caixa de Pandora…
A JOGADA
A confirmar previsões
Zé Luís entrou cedo no radar dos principais clubes portugueses. Ainda com idade de júnior, em 2010, os relatórios dos olheiros alertavam para um avançado promissor a dar os primeiros passos no Gil Vicente, na altura na 2.ª Liga. O Braga antecipou-se à concorrência, mas o jogador nunca se afirmou em pleno nos bracarenses, muito por causa de duas lesões graves. Agora, depois de um empréstimo bem-sucedido na Hungria, onde apontou 15 golos, a potência, a qualidade técnica e o faro de golo do cabo-verdiano estão finalmente a revelar-se na equipa minhota. Um valor em crescendo, a confirmar os prognósticos.
O CRAQUE
Reforço valioso
Ewerton não precisou de muito tempo para mostrar a importância que pode ter na equipa principal do Sporting. Em cinco jogos, as qualidades do central brasileiro já se revelaram e o jogador está a responder positivamente à confiança e à paciência que os responsáveis leoninos depositaram nele. Muito forte na antecipação, imperial no jogo aéreo e bom no transporte de bola, traz mais tranquilidade ao sector defensivo e ainda é valioso nos lances de bola parada ofensivos. A defesa sportinguista tem um novo comandante.
A DÚVIDA
Um caminho inevitável
O jovem Gonçalo Guedes renovou contrato com o Benfica até 2021 e passa a ter uma cláusula de rescisão de 60 milhões de euros. Números que garantem que o jogador é uma aposta séria para os próximos anos e que dão corpo à intenção de Luís Filipe Vieira de integrar mais jogadores da formação do Benfica no plantel principal das águias. Gonçalo Guedes serve assim de inspiração para outros jovens acreditarem que o sonho é possível. Para os clubes nacionais, esta é uma via inevitável. Que outros jovens seguirão o caminho de Gonçalo Guedes?