Terminou a caminhada portuguesa no Mundial da Alemanha. Ficámos num honroso quarto lugar. É evidente que, tendo em conta o desenrolar da prova, podíamos ter ido mais além. E quando penso em algo mais alto estou, sem rodeios, a falar do título. Acreditava, antes da bola rolar, que podíamos lá chegar e, sinceramente, continuo a pensar assim. A distância entre o nosso quarto lugar e o posto de campeão é mesmo muito próxima.
O jogo com a Alemanha, conforme se esperava, foi muito complicado. Os atletas estavam física e psicologicamente debilitados. Como os alemães, só que estes jogavam em casa. Após a derrota com a França, creio que a comitiva lusa só pensava em voltar a Portugal e descansar. A FIFA, no entanto, obrigou a Selecção a disputar uma partida que, efectivamente, não devia existir. Dar uma medalha de bronze aos dois semi-finalistas derrotados há-de ser, num futuro próximo, a solução. Esta ideia de fazer uma partida entre gente triste e cabisbaixa só interessa a quem ganha dinheiro com ela. Mas quanto deixará de amealhar a FIFA por fazer Mundiais com 63 jogos em vez de 64? Nada…
Scolari, fiel aos seus princípios, só fez uma alteração por opção no “onze”, deixando Figo de fora. Não penso ter sido uma boa ideia. Admito que Maniche devia alinhar por, pelo menos na teoria estar na corrida pelo título de melhor jogador da prova (o troféu vai, seguramente, para um francês ou italiano). De resto, com excepção a Meira (era conveniente dar alguma estabilidade ao centro da defesa, onde não estava o castigado Ricardo Carvalho e se estreava Ricardo Costa), penso que o seleccionador devia ter dado oportunidade a quem jogou menos, a quem tinha uma maior capacidade atlética.
A titularidade de Pauleta e a inclusão de Figo nos últimos minutos pode ser explicada com a vontade de Scolari em permitir um adeus “activo” a dois dos melhores jogadores da história do futebol português. Entendo e respeito a ideia. Só que Pauleta e Figo merecem uma despedida “em grande”, com uma grande festa num qualquer particular organizado em Portugal, nem que seja para alinharem apenas um par de minutos. O que eles deram ao País assim o exige, tal como Rui Costa ou Fernando Couto (e podia citar outros) também o justificavam.
Uma palavra para Nuno Gomes. Passou pela Alemanha quase incógnito, mas no final, com poucos minutos acumulados em 2 jogos, somou um golo. Já no Euro’2004, “facturou” no pouco tempo em que participou. Acredito que sem Pauleta, a caminhada para o Europeu de 2008 será a sua fase de confirmação na Selecção. Com todo o respeito para Postiga e todos os outros avançados, o avançado do Benfica tem tudo para ganhar um espaço fixo na equipa.
Para encerrar esta “missão Alemanha” só uma falta uma recepção apoteótica à Selecção. Todo o empenho que os jogadores colocaram em campo, aliado ao sonho bonito que nos proporcionaram, deve culminar com mais uma jornada de festa. Até agora, os artistas só puderam testemunhar o apoio da nação à distância. Chegou o momento de o sentirem “in loco”.