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Talvez fruto das guerras intestinas que minam a superestrutura da SAD do clube, este FC Porto oscila entre o imobilismo coletivo e a anarquia tática. Cada vez mais, parece que Paulo Fonseca é vítima e não vilão neste estranho filme de terror futebolístico. Tomemos como exemplo o jogo da passada quinta-feira: os responsáveis técnicos do FC Porto já devem ter visto e revisto os movimentos coletivos – ou a falta deles – que redundaram no mais amargo empate desta época.
Frente a uma equipa alemã de meia água, sem classe nem génio num único jogador, o FC Porto chegou ao 2-0 e sofreu dois golos quase de rajada. No momento do 2-0, a equipa técnica celebrou tanto que parecia a caminho de uma vitória na final da Liga dos Campeões. Um pouco ridículo e sem razão aparente, pois os sinais de fraqueza sempre estiveram bem visíveis na equipa do dragão.
Dois centrais incapazes de encaixar num ponta-de-lança apenas razoável. Dois laterais sempre em rota de colisão com alas que não fazem movimentos interiores (Varela na direita fê-los de forma intermitente; na esquerda, neste domínio, foi igual a Quaresma). Fernando com peso a mais e vontade a menos, por vezes de forma quase escandalosa, como quando, por volta dos 60 minutos, se alheou de um lance de cruzamento na esquerda a apenas dois metros do alemão que cabeceou. Quaresma escondeu a sua indisciplina tática, a sua incapacidade de trabalhar defensivamente, a sua falta de velocidade, com um golo soberbo. Mas por detrás do golo ficou tudo o que acima fica escrito.
Josué a tentar transportar a bola em vez de fazer circular, com vários momentos em que deu três, quatro, cinco toques nela, sem encontrar linhas de passe, como se estivesse num jogo de juvenis.
Agora, ou os jogadores do FC Porto encontram o caminho do respeito pelo técnico e por si próprios, ou as bancadas do estádio irão ficar cada vez mais desertas e ácidas.
P.S. – Um sintoma de desconforto assomou em Alvalade, frente ao Olhanense. Dois jogadores, André Martins e Wilson Eduardo, ouviram os primeiros assobios coletivos da época. O jogo de hoje, frente ao Rio Ave, tornou-se decisivo. Ou o Sporting retoma a inicial solidez, ou descamba para a vil tristeza de épocas anteriores.