GESTÃO – Começam a ter forma os lotes de jogadores convocados para o Campeonato do Mundo. Um processo tradicional, suportado nas preferências técnicas dos treinadores, algumas das quais susceptíveis, também como é hábito, de alimentar apaixonadas discussões. Enquanto Luiz Felipe Scolari levou até ao fim todas as polémicas, correndo o risco de só salvar a pele se regressar a casa com o "penta" debaixo do braço, em Portugal não se esperam motivos para tornar António Oliveira alvo de qualquer polémica nacional. Ao cabo de dois anos de sucesso, não há razões para duvidar do bom gosto do seleccionador português. Na lista vão estar os melhores dentro do critério de avaliação técnica que prevalece nestas alturas, moldado com os habituais ajustes tendo em conta particularidades como a polivalência e a gestão emocional do que é, em absoluto, um bom suplente.
DISPONÍVEIS – Mas o que é, afinal, o bom suplente? É aquele que, apesar de incomodado pelo facto de não ser primeira escolha, foge à depressão e prepara-se psicologicamente para o momento de intervir; é aquele que, mesmo suportando um determinado sentimento de revolta pela decisão do treinador, está disponível em permanência para entrar e desmascarar o que entende ser uma injustiça, procurando delimitar o seu espaço para o jogo seguinte; por fim, o bom suplente também pode ser aquele para quem a simples presença no grupo já é uma vitória, razão pela qual tudo o que vier a mais é considerado ganho. E chegados a este último grupo, em causa passam a estar também características técnicas dos próprios jogadores.
SURPRESA – Um médio com características de organizador, daqueles que, por norma, tratam do plano de viagem e de todos os pormenores referentes ao bem-estar da equipa, dificilmente constitui solução para resolver problemas se entrar com a carruagem em andamento, no fundo se for entendido apenas como um passageiro da caravana. Mas há dois tipos de futebolistas capazes de causar efeitos devastadores no adversário: os goleadores que dimensionam o perigo no centro do ataque e os dribladores cuja capacidade de explosão activa as faixas laterais. No primeiro caso, a selecção nacional encontrou na fase de qualificação para o Mundial um bom exemplo do jogador capaz de oferecer o que faltava: Nuno Gomes. Quanto ao segundo aspecto, atendendo a alguns dos princípios já enunciados do bom suplente, ganha forma a ideia de que Ricardo Quaresma pode ser, de facto, uma das apostas para a Coreia e Japão.
DRIBLES – O jovem sportinguista possui uma diversidade de dribles absolutamente inacreditável, que aproveita com objectividade aceitável de modo a reverter esse talento em prol do colectivo – precisa apenas de aperfeiçoar a definição e execução do último passe. Integrado numa equipa de estrelas; ao fim de um ano sem muitos contactos internacionais, mesmo nos escalões mais jovens, Quaresma tem tudo para ser a tal carta fora do baralho para o Mundial. Perdeu a titularidade no Sporting? Viu nascer à sua volta um clima de alguma desconfiança? É verdade, mas o que pode ser, aparentemente, um obstáculo à sua afirmação funciona para a selecção nacional como argumento que acentua os benefícios da sua inclusão na equipa: surpresa, juventude, talento, vontade e total disponibilidade para o que der e vier.