O campeão habitual

O campeão habitual

Manuel Pellegrini é bom treinador. Deve ser boa pessoa. Mas não é campeão de futebol. Não este ano. Paciência. E se perdeu o campeonato inglês para o Chelsea de José Mourinho, então devia ter dupla paciência. Mas não: o treinador chileno do Manchester City tinha de dar uma entrevista a dizer mal do treinador português. É impressionante como todos caem na mesma armadilha.

Mourinho está-se positivamente nas tintas que o achem arrogante, presunçoso ou imodesto (sendo que, das três coisas, creio que só é as duas últimas). Mas pode sê-lo por uma simples razão: ele ganha. E quem ganha pode gabar-se de ganhar.

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"Quando ganha, Mourinho quer ter crédito por tudo", disse Manuel Pellegrini, aliás citado ontem no Record. E continuou: "Eu nunca faço isso. Quando ganhei a Premier League não disse o que quer que fosse." Está bem abelha.

É impressionante como, depois de tantos anos de Mourinho, os treinadores rivais ainda são dizimados pela sua indiferença. Ninguém ganha um despique verbal com o treinador português, que provavelmente fica radiante com estes desabafos, pois isso compele-o para respostas que revelam a sua superioridade. Pellegrini bem pode dizer que "não tenho qualquer interesse em analisá-lo como pessoa", mas é exatamente isso que está a fazer. E assim demonstra fragilidade.

Ainda hão de escrever muitos livros sobre o perfil de liderança de Mourinho. Dentro das suas equipas e face aos adversários. Depois de ter voltado ao sítio onde fora feliz para ser feliz outra vez, no Chelsea, é garantidamente um dos portugueses do ano. Pellegrini bem pode ir pentear macacos. Será só mais um na fila.

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