Opinião
António Salvador Presidente do Sp. Braga

O consenso não pode ter prazos

Começou o Euro’2024 e Portugal prepara-se para a estreia, carregando consigo as esperanças de um País que está absolutamente convicto do génio dos seus representantes. Durante largas semanas, entretanto extensíveis aos Jogos Olímpicos, o futebol e o desporto serão os nós que unem todos os sectores da sociedade e até o poder político não hesitará em capitalizar para a moral nacional todo e qualquer feito que venha a ser alcançado.

Sendo óbvia a importância desta galvanização coletiva, tem igualmente de ser referido que ela ignora as arduidades do incrível mas anónimo trabalho de milhares de pessoas e de centenas de coletividades que são essenciais para a base deste processo. Sim, temos uma Seleção de enorme qualidade, enquadrada numa estrutura federativa de excelência. Pondo a nossa realidade em perspetiva face aos nossos prováveis competidores no torneio da Alemanha, não há contexto social (Portugal tem uma base de recrutamento menor), económico (o nível de investimento é incomparavelmente inferior) ou político (o desporto tem sido pasta irrelevante nas estruturas governamentais) que suporte esta extraordinária junção de capacidades e talentos.

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Não, a Seleção Nacional que vai disputar o Euro’2024 não é o resultado de um esforço comum e de uma visão transversal a todo o País, partilhada e assumida por todos os sectores. Ela é muito mais o resultado da visão federativa; da paixão e do voluntarismo de muitos clubes que permitem a iniciação desportiva; do investimento e da excelência dos emblemas de topo que a dado momento detetam e multiplicam o valor dos nossos jovens jogadores; e do rasgo dos clubes e das competições profissionais e semi-profissionais que não hesitam em criar condições para acelerar a projeção e a valorização do jogador português.

O futebol, apesar da perceção contrária, revela níveis de autonomia, gestão e competitividade internacional que são muito raros noutros sectores de atividade no nosso País. É fundamental, pois, que os responsáveis, sempre tão ávidos de aparição nestes momentos, se deem conta de que apesar dos sólidos suportes que o futebol tem vindo a estabelecer para si próprio, há hoje inegáveis ameaças de contexto que devemos conhecer e atenuar, não dando por adquirido nada do que foi alcançado.

Na pessoa do Presidente Fernando Gomes, um líder raro, merecedor de todos os reconhecimentos, desejo à Seleção Nacional o maior sucesso neste Euro’2024.

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Por António Salvador
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