Há muitas semanas que se fala neste jogo e todos o apontam como o verdadeiro tira-teimas para decidir o campeão. Poderá ser verdade, mas também não é totalmente certo que o vencedor da Liga ficará decidido na Luz. Certo é que este é o embate do ano. Uma partida de aposta tripla, em que qualquer lado poderá vencer dado o poderio de ambas as equipas. Cabe a águias e dragões mostrarem o que valem.
Na última década, o clássico Benfica-FC Porto tem sido marcado pelo equilíbrio e nem se pode dizer que o fator casa tenha grande influência. Três vitórias para os encarnados, três empates e quatro vitórias para os azuis e brancos. Onze golos marcados por cada uma das equipas. Esta história recente confirma-nos apenas que é difícil fazer qualquer tipo de prognóstico. Devido a este equilíbrio de forças cada vez mais patente, temos assistido a jogos muito disputados entre as duas equipas e não é de estranhar que, à exceção do ano passado (em que o Benfica venceu por dois golos de diferença) os clássicos da Luz tenham terminado sempre com vitórias pela margem mínima ou empates.
Em termos teóricos, o Benfica tem, como se costuma dizer, a faca e o queijo na mão. Joga em casa, leva três pontos de avanço na classificação e tem ainda a seu favor a vantagem de dois golos no confronto direto que trouxe do Dragão. Quer isto dizer que uma vitória benfiquista praticamente selará a conquista do campeonato, dado que com seis pontos de avanço, as águias apenas ficariam a precisar de duas vitórias a quatro jornadas do fim.
Mesmo um empate no clássico dará uma certa tranquilidade a Jorge Jesus na medida em que lhe bastará vencer três das quatro partidas que restam cumprir. E até num cenário de derrota por 0-1, o Benfica sairá vivo do clássico com a liderança da Liga na mão. Perante estes dados, é de esperar que o treinador encarnado adote uma estratégia cautelosa, que tente surpreender no aproveitamento de erros do adversário e em raides venenosos pelas faixas, nas quais o Benfica é especialista.
Do outro lado, teremos um FC Porto de orgulho ferido, depois de um mau jogo na Alemanha que resultou numa goleada a que não está habituado, mas que não tem nada a perder e tudo a ganhar em tentar recuperar a desvantagem que tem para o Benfica. Para conquistar algum troféu este ano, os dragões sabem que só vencendo na Luz, de preferência por , mais de um golo, é que conseguirão atingir esse objetivo. E não poderá haver motivação maior, superando até o desgaste físico, do que tentar fazê-lo na casa do grande rival.
A Lopetegui não resta outra alternativa senão ganhar. Só assim o FC Porto continuará a depender de si próprio para ser campeão. A equipa terá de mudar o chip: a Liga dos Campeões é passado e só o campeonato nacional é que importa. Vai assumir as despesas do jogo, fazendo a sua tradicional circulação de bola, num estádio que se transformou numa fortaleza, onde o Benfica marca sempre e sofre muito poucos golos. Mas se há equipa em Portugal capaz de jogar olhos nos olhos e vencer na Luz é, sem dúvida, o FC Porto.
Estão reunidos todos os ingredientes para que o jogo de domingo seja um excelente espetáculo, com jogadas de perigo em redor das duas balizas. E depois de tanto debate sobre qual das equipas é a melhor, nada como dar-lhes a oportunidade de exibir as suas capacidades dentro de campo para tirar essas dúvidas. Há muito que benfiquistas e portistas, bem como os adeptos do futebol português em geral, esperam por este dia.
O craque - Central em ascensão
Pouco tempo depois de conquistar a primeira internacionalização pela Seleção Nacional, o bracarense André Pinto está em vias de cumprir o jogo 100 no campeonato. A atravessar o melhor momento da carreira, o central português, de 25 anos, garantiu a titularidade no Braga perante forte concorrência e confirma-se como um valor em crescimento da liga portuguesa. Forte na marcação e no jogo aéreo, é um dos responsáveis pelo bom desempenho defensivo da sua equipa na Liga (18 golos sofridos apenas). E já se começa a falar de clubes europeus interessados no seu concurso.
A jogada - Maturidade de Rúben Neves
Com a equipa a perder por 5-0 ao intervalo, foi o lançamento de um miúdo de 18 anos que veio dar maior tranquilidade ao FC Porto. Parece mentira, mas este momento do jogo na Alemanha, veio comprovar os índices de maturidade que o jovem Rúben Neves já evidencia. Rúben trouxe maior eficácia no passe e uma saída de bola com maior critério e inteligência, que ajudou os portistas a sacudir a pressão alemã. O Bayern esteve num dia sim, capaz de atropelar qualquer equipa que tivesse pela frente. Mas Rúben mostrou que podia ter sido precioso na primeira parte.
A dúvida - Destino traçado ou não
Já a 5 e 7 pontos de distância, respetivamente, dos lugares de manutenção, as esperanças de Gil Vicente e Penafiel em continuar na 1.ª Liga começam a ficar bastante comprometidas. Ambas as equipas ainda têm de jogar com Benfica e FC Porto até ao fim do campeonato, o que complica, e muito, as contas deste dois conjuntos que também se vão defrontar entre si nas próximas jornadas. José Mota e Carlos Brito terão um desafio hercúleo pela frente. E o seu sucesso pode muito bem depender de uma vitória na próxima jornada. Conseguirão inverter o destino que parece já traçado?