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“Só podemos e devemos gastar aquilo que temos capacidade de gerar” e o problema “é que muitas vezes se gasta mais relativamente às expectativas de receitas”. Quem disse isto ontem? Abebe Selassie, da troika, na sua intervenção na Ordem dos Economistas? Não, Fernando Gomes, presidente da FPF, na nova sede da Associação de Futebol de Beja.
Os clubes portugueses estão genericamente demasiado endividados. Vivem presos às dívidas, na armadilha dos nossos tempos, suportando elevados custos financeiros com as receitas a cair. Solução? “Procura-se investidor”. Investidores é que nem vê-los.
Vem isto a propósito de dois jogos recentes, o Barcelona-Benfica e o Sporting-Benfica. Tendo em conta a diferença no valor dos plantéis, é desumano pedir ao Benfica que ganhe ao Barcelona (exceto, claro, quando o Barcelona faz quase tudo para que o Benfica ganhe, como foi o caso). Segundo o ranking dos clubes mais valiosos, apresentado na semana passada pela Pluri Consultoria, a equipa catalã vale 671 milhões de euros, quase quatro vezes mais que a equipa encarnada, avaliada em 178 milhões, que por sua vez é quase o mesmo que vale o FC Porto (180 milhões) e mais quase 30% que o Sporting (144 milhões de euros… pouco mais que vale só Messi, 140 milhões).
A diferença entre os plantéis da Luz e de Alvalade é menor, claro. Mas é expectável que o Benfica tenha mais poder de fogo que o Sporting, único dos “quatro grandes” fora da Champions este ano. Só este fator desequilibra qualquer balança: a Champions já rendeu este ano cerca de 40 milhões de euros aos clubes portugueses (11,6 milhões ao Benfica, 11,7 milhões ao Braga e 16,6 milhões ao FC Porto, que segue na competição). Razão tem Fernando Gomes: não se pode viver acima das possibilidades. Nem, às vezes, se pode jogar acima das possibilidades.