O Euro’96, ainda

O Euro’96, ainda

O Euro’96 não foi um europeu qualquer. Foi o regresso da Seleção Nacional de futebol aos grandes palcos depois da equipa de Chalana ser inesquecivelmente vencida pela França de Platini em 1984, mágoa que manteremos com o destino até ao fim dos nossos dias. Em 96, custou menos perder. Vestíamos equipamentos Olympic. Equipamentos que 14 anos depois estão por pagar.

Detenhamos mais um parágrafo em 1996. Essa era a Seleção da emancipação adulta da “Geração de Ouro”, com Rui Costa, Figo, João Pinto, Sá Pinto ou Fernando Couto a destrunfar talento. Só custou menos perder porque o golo que nos aniquilou foi um fabuloso chapéu de Poborsky, não um conjunto de ressaltos de uma França que – confesso a falta de isenção – jogava à “mama”. Em 1984 éramos infinitamente humildes, em 1996 fomos orgulhosamente promissores. E é depois disso que se segue uma diáspora de grandes jogadores pós-Futre para os grandes campeonatos.

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Os equipamentos da Olympic eram toscos. Para ser franco: eram feios, não tinham style. E nessa altura isso já importava: os cabelos compridos tinham substituído os bigodes de 84. Havia um contrato da FPF com a Ricoexport, fornecedora Olympic, que duraria até 1998. Mas logo em 1996 a FPF mudou para a Nike. E iniciou-se uma guerra judicial que dura até hoje.

O Negócios revela na edição de hoje nas bancas que, depois da FPF ter perdido para a Ricoexport nos tribunais em todas as instâncias, são agora as receitas dos patrocínios da Seleção que podem ser penhoradas: a dívida, com juros de mora, ascende a cinco milhões de euros.

É incrível como a Justiça funciona: 14 anos para condenar e executar uma dívida. Mas uma coisa mudou muito: a Seleção. Hoje é uma “marca” nacional e um grande negócio. Parte disso começou precisamente naquele Euro’96.

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