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O futebol de lá e o de cá

O futebol de lá e o de cá

A bola já rola no Mundial do Brasil. Esendo certo que aqui e ali vão chegando notícias de alguns problemas em torno da competição, a verdade é que todos os que gostam de futebol acompanham com um sorriso nos lábios as principais incidências de uma prova que, de quatro em quatro anos, relega para segundo plano tudo o resto que se passa no desporto internacional.

Independentemente dos deslizes arbitrais que marcaram os primeiros embates – situação que comprova o óbvio: os erros grosseiros não acontecem só nos campos nacionais –, o Campeonato do Mundo segue o seu curso normal, e enquanto Portugal não entra em ação, já tivemos oportunidade de assistir, por exemplo, à estrondosa derrapagem da Espanha – apenas e só a detentora do título – face à Holanda e à impensável derrota do Uruguai perante a Costa Rica.

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Mas, enquanto lá por terras de Vera Cruz se joga dentro do campo, por cá vamos assistindo ao habitual, aos inúmeros malabarismos de vários dirigentes que, pesem os discursos sempre inflamados e repletos de ideias nobres, acabam sempre por proteger o tal sistema – seja ele o que for.

O que se passou nos últimos tempos a propósito do recente ato eleitoral da Liga de Clubes foi, no mínimo, uma palhaçada. Só que esta, ao contrário do que se deseja quando estão envolvidos palhaços profissionais, não faz rir ninguém. Bom, pensando melhor, talvez não seja bem assim. Tenho a certeza que todo o regabofe verificado nos dias que antecederam as pretensas eleições deve ter levado muita gente à gargalhada. Aqueles que, ao longo de meses, de forma mais evidente ou pela calada, cozinharam este desenlace – ou outro parecido, com os mesmos objetivos – não devem sentir vergonha deste triste espetáculo. Provavelmente até estão orgulhosos de, mais uma vez, terem conseguido agitar tudo de forma a que nada fosse alterado.

Os anos vão passando, muitos clubes vão renovando os seus dirigentes, mas há sempre quem procure controlar nos bastidores. E isso, sinceramente, até percebo. O que me faz mais confusão é ver tanta gente disposta a baixar a cabeça, a assobiar para o lado e a conviver tranquilamente com tanta sujidade. Estes, em meu entender, são tão ou mais culpados...

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