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Este verão está a ser uma autêntica loucura para o futebol português com contratações completamente inesperadas, polémicas e especialmente caras. Hoje, em Portugal, é normal que um dos grandes debates seja o dinheiro que vai ganhar Jorge Jesus, Iker Casillas, Maxi Pereira ou mesmo o que pagou o FC Porto pelo ex-jogador do Marselha, Imbula. Como antigo profissional (durante 18 anos) deste desporto maravilhoso, sempre achei o futebol um mundo completamente à parte.
O futebol vive noutro planeta. Recordo-me de uma frase do presidente do Atlético de Madrid, em 1987, quando lhe perguntaram se não era muito cara a minha contratação. Naquela altura, tinha sido o segundo negócio mais volumoso da história do futebol. O primeiro acontecera, uns anos antes, quando Maradona foi contratado ao Boca Juniors pelo Barcelona.
Jesus Gil y Gil, que foi, é e sempre será o presidente mais polémico de sempre, respondeu: "Isto é futebol. O que é caro hoje pode tornar-se muito barato amanhã. E o que é barato hoje pode tornar-se muito caro amanhã". No fundo, ele tinha razão. No meu caso, acabei por ter um grande rendimento e, cinco anos e meio depois, vendeu-me mais caro do que comprara. Outros jogadores que ele contratou por muitíssimo menos dinheiro acabaram por ser um fiasco desportivo e um péssimo negócio para o clube. Hoje, Bruno de Carvalho e Pinto da Costa devem estar a pensar igual a ele. Jesus, Casillas, Maxi e Imbula hoje são caros, mas amanhã podem ser muito baratos.
O que está acontecer no futebol português é excelente. Teremos um dos melhores campeonatos de sempre e ainda faltam praticamente seis semanas para fechar o mercado. Muitas coisas vão acontecer até lá. As cifras em causa podem também significar que há capacidade de investimento e que, no futuro, os melhores jogadores portugueses atuem muito mais anos no nosso campeonato e não tenham que emigrar tão cedo. Pelos valores de que se fala em relação aos contratos de Iker Casillas e Maxi, por exemplo, muito poucos craques portugueses emigrariam. Se repararmos bem, excetuando Cristiano e Nani, poucos mais estão a ganhar mais do que este dinheiro no estrangeiro
Os miúdos que chegam com 10 ou 11 anos aos grandes clubes, como foi o meu caso no Sporting, têm três grandes sonhos: o primeiro é ser titular na primeira equipa, o segundo é ser internacional A e o terceiro é fazer um grande contrato com uma equipa estrangeira de topo. Isto porque o dinheiro estava e está lá fora.
Alguns de nós tiveram o privilégio de concretizar estes três sonhos de criança, mas também não tenho dúvidas que, se os grandes clubes portugueses conseguissem pagar cifras parecidas, muito poucos craques tinham saído para o estrangeiro. Eu, por exemplo, ficaria e penso que todos os outros que saíram depois de mim, como Figo, Rui Costa, Rui Barros, Paulo Sousa, Vítor Baia, Fernando Couto e muitos mais, também não teriam deixado o nosso país, porque, mesmo que sejas muito aventureiro, nunca é fácil abandonar a familía, os amigos e o nosso meio.
Por fim, a seleção sub-20 foi injustamente afastada pelo Brasil, no Mundial da Nova Zelândia, nos quartos-de-final, após o desempate por penáltis. Várias semanas depois, os sub-21 perderam a final do Europeu, também nas grandes penalidades, frente à Suécia. Ambas as equipas demostraram o grande potencial do jovem jogador português. Muitos deles serão os craques e líderes da nossa seleção A dentro de poucos anos e adoraria vê-los como titulares nas equipas portuguesas de topo, em vez de em emblemas estrangeiros. Só espero que este verão louco seja o primeiro de muitos e que os craques nascidos em Portugal também tenham estes grandes contratos. O meu grande desejo é que este seja o início de um ciclo para todo o futebol português!
Grande caldeirada -- A ingratidão do Real Madrid
Embora Casillas tenha sido uma grande contratação do FC Porto, não deixa de ser triste a forma como decorreu todo o processo de negociação e o facto de a despedida do guarda-redes espanhol ter sido tratada de forma fria, como se de um jogador qualquer se tratasse. Sem dúvida alguma que o Real Madrid é melhor clube do Mundo, mas muitas vezes protagoniza episódios infelizes. Uma lenda viva, como é Iker para os merengues e para todos os espanhóis, não podia ser tratada daquela maneira. Ainda para mais, passaram a imagem de que era um "pesetero", que discutiu um milhão acima ou um milhão abaixo (o que para o Real Madrid não é nada). Foi uma situação que certamente poderia ter sido evitada perante um homem que lhes deu tudo. O Real Madrid é também hoje o melhor clube do Mundo a nível de ingratidão.
Nós lá fora -- Chegar, ver e vencer
Depois de um grande Europeu pela seleção sub-21, o jovem português Ivan Cavaleiro assinou pelo Monaco numa transferência interessante, não só para o Benfica, em termos financeiros, como também para o jogador e para o seu novo clube, que desde o início parecem estar perfeitamente encaixados. Logo no primeiro particular com a camisola do principado, o português estreou-se a marcar. Como eu gosto de chamar: é chegar, ver e vencer! Muita força, menino!
Do meu álbum -- Viagem à Suíça
No passado fim-de-semana fui à Suiça, a um jogo de antigas estrelas da Selecção Nacional. Um evento, organizado por portugueses, em que participei eu, Vitor Baia, Dani, Marco Ferreira, Carlos Xavier, Fernando Mendes, Calado e o grande Veloso. A verdade é que estar em estágio no hotel, a viagem no autocarro, os rituais de balneário e a palestra antes do jogo são tudo situações que fazem a tua mente recuar 20 anos. Por momentos voltei a ser profissional de futebol. Uma viagem sem dúvida a repetir, por todo o convívio, que foi não só com a comunidade portuguesa de Zurique como também com ex-companheiros.