Em Portugal, nos últimos tempos, só se ouve falar em Mateus, providências cautelares, recursos, conselhos disto e daquilo, Liga, Federação, UEFA, FIFA e tudo o que, directa ou indirectamente, está relacionado com a enésima trapalhada do futebol português. Embora faça parte do extenso rol de cidadãos que tem passado algumas horas a ler, escrever ou falar sobre o tema, assumo que já estou um pouco cansado de tanta conversa sobre um assunto que começou por não incomodar os maiorais do pontapé na bola, mas que de repente serviu de pretexto para os deixar à beira de um ataque de nervos. De um dia para o outro deu-lhes a pressa e passou a existir disponibilidade para encontros, reuniões ou conferências de imprensa em qualquer lado, a qualquer hora. Se não tivessem estado todos a “dormir” durante vários meses, acredito que o processo poderia ter sido tratado e conduzido de forma mais civilizada, sem ser necessário mostrar ao mundo que por aqui ainda reina muito amadorismo, inclusive em instituições que se dizem profissionais. Assim sendo, os “artistas” só tiveram o que mereceram.
Independentemente do final da “novela”, um bom desfecho era ver todos os que contribuíram para este triste espectáculo (reforço a palavra todos, pois tenho observado muitos espertos a procurar “sacudir a água do capote”, dando a ideia que nada de errado fizeram) a sair de cena. Mudar de país deve ser pedir muito…
Gosto de saber que a tal figura jurídica do “interesse público” vai contribuir para, em princípio (é sempre prudente duvidar…), restabelecer a ordem no nosso futebol. Aliás, defendo que esse mesmo “interesse público” devia ser aplicado mais vezes e de forma ampla. Por exemplo: esse argumento podia ser utilizado para impedir que determinadas “figuraças” do futebol português pudessem permanecer nos seus cargos e, assim, estarem aptos a repetir erros, deslizes e falcatruas. Não concordam que o “interesse público” sairia reforçado se impedisse determinados “cromos” de continuarem a importunar-nos? Adiante.
O desporto, felizmente, não é só “peixeirada”. Muitas coisas positivas e bonitas nele acontecem. E o último domingo foi um bom exemplo disso, com o triunfo da Espanha no Mundial de basquetebol e o adeus de Andre Agassi no ténis.
Mesmo sem poder contar com os serviços de Pau Gasol, “apenas” o melhor jogador da prova realizada no Japão, os espanhóis vulgarizaram a Grécia e arrebataram um ouro histórico. Foi uma jornada sensacional, onde a união de um grupo de jovens basquetebolistas fez a força suficiente para atingir o sucesso.
Horas depois, nos Estados Unidos, Agassi dava por encerrada uma carreira brilhante. Perante um adversário ao seu alcance (é justo dizer que este novo Becker até jogou muito bem…), o “Kid de Las Vegas” foi traído pela incapacidade física. Não foram os 36 anos que o derrotaram, mas sim as dores insuportáveis nas costas, as mesmas que, só nos últimos dias, o obrigaram a passar horas e horas no hospital, recorrendo a todas as soluções clínicas para o colocar em condições mínimas para competir.
Agassi perdeu, é certo, mas recebeu a ovação da vida. Mais de 20 mil compatriotas não o abandonaram na hora do adeus. Foram minutos de grande intensidade, com o campeão a não ter problemas em mostrar as suas emoções.
Portugal, numa escala diferente, também teve momentos de grande fulgor neste domingo, um dia atípico onde a ditadura do futebol nos deu descanso. Vanessa Fernandes, esse verdadeiro prodígio do triatlo, conquistou a medalha de prata no Mundial, enquanto mais tarde, na Bósnia, a Selecção de basquetebol bateu a turma local e se posicionou de forma concreta a sonhar com a hipótese de, pela primeira vez, garantir o acesso ao Europeu.
Nas próximas horas, contudo, tudo vai voltar ao mesmo. Os novos “episódios” da “novela Mateus” já estão na calha…