O mais poderoso

O mais poderoso

Quando, ontem, o Jornal de Negócios incluiu Pinto da Costa na lista d’ “Os Mais Poderosos da Economia”, em 49.º lugar, a nossa caixa de correio eletrónico entupiu. Um terço era elogios – rasgados. Os outros dois terços eram críticas – furiosas. Futebol é poder. E é poder económico.

“Os Mais Poderosos da Economia Portuguesa” é uma lista de 50 personalidades, reveladas uma por dia, no Verão, pelo Negócios. Não é uma lista de popularidade nem de “bons e maus”, é o conjunto de perfis das pessoas que exercem poder na economia – e da forma como o fazem. Com que amigos e aliados; com que inimigos e através de que redes de influência.

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O futebol é, em si mesmo, um sector económico, em que os clubes são geridos como empresas, a maior parte dos quais com o mesmo pecado do País: excesso de endividamento, isto é, de passivo, com falta de capital e em cima de modelos de negócio que só se correrem muito bem é que dão certo. Nos últimos 30 anos, nenhum clube o fez tão bem como o Porto, e perante o fracasso também económico e financeiro do Sporting e o Benfica, sendo que o Benfica bateu mais fundo mas deu a volta, enquanto o clube de Alvalade ainda paira entre os bancos de que depende.

Pinto da Costa é não apenas polémico e sabe muito mais do que de futebol. Sabe de liderança, sabe reunir-se de gente leal até à morte, sabe aliar-se a outros poderosos como Joaquim Oliveira, sabe ganhar com o melhor dos agentes (Veiga antes, Jorge Mendes depois) sem se perder com o que eles têm de pior: são traidores ou traiçoeiros.

O poder do FC Porto é monumental, no desporto, na sociedade, na região Norte – e também na economia e nas empresas. E se um Pinto da Costa incomoda muita gente, este Pinto da Costa assim tão próspero incomoda muito mais.

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