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O novo Quaresma

O novo Quaresma

Quando Lopetegui encostou Quaresma no banco e lhe retirou a braçadeira, afirmou a sua essencial autoridade e livre arbítrio. O basco, com esta manifestação de coragem e capacidade de liderança, iria sempre conquistar uma equipa, mas poderia ter perdido um jogador genial. Tal não aconteceu - e aqui o mérito é totalmente de Quaresma -, bem pelo contrário. Com este choque inicial, Lopetegui acabou com as dúvidas sobre o que aconteceria a qualquer jogador do plantel, por mais querido dos adeptos, que não assimilasse as suas ideias. Quaresma, ao aceitar as novas regras, tornou-se um jogador muito mais completo e letal. Se tivesse menos cinco anos, estaria ainda a tempo de cinzelar o estatuto de um dos melhores do Mundo, que o seu talento desperdiçado em adornos barrocos sempre mereceu.

Este novo Quaresma aparece, aos 31 anos, com a arte dos melhores dias, remodelada por um entendimento da palavra coletivo. Até agora Quaresma sempre parecera não entender para que servia cada um dos outros nove jogadores de campo. Encostado teimosamente à linha, não lia devidamente os momentos em que se devia internar para resolver a jogada com segundo ponta de lança, ou como falso número dez. Rebelde das táticas, sempre foi incapaz de sacrifícios defensivos.

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Este novo Quaresma ainda não está perfeito, talvez nunca chegue a ser efetivo quando defende perto da sua área - como foi visível no único golo do Bayern no Dragão -, mas já troca mais um drible por um centro para golo e já se sacrifica na complementaridade necessária à pressão sobre a bola na zona de ataque.

Com este tardio banho de humildade competitiva, Quaresma pode ainda ser um dos melhores alas do futebol atual. Portugal deve agradecer a Lopetegui esta inesperada máquina de resolver jogos, que, se tiver sorte, ainda poderá brilhar no Euro'2016.

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