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O Orçamento

O Orçamento

O dia 15 de outubro devia ser feriado. Nesse dia, devia haver sempre um jogo de futebol amigável, com circo antes e bar aberto depois. Não seria para comemorar nada. Mas para aguentar a dose de más notícias que nos dão. Todos os anos, a 15 de outubro, o Governo apresenta o Orçamento do Estado. Ora bem, que dia é hoje?

Na verdade, este ano as más notícias são impressas no dia 17 (dia 15 é sábado e os Governos entendem que más notícias têm de estragar apenas os dias da semana). O que para aí vem de impostos e de cortes no Estado é um ror de infortúnios. Para uma função pública que já foi festa e agora é bombo. Para os trabalhadores, que pagam IRS como se trabalhar fosse crime. Para os comerciantes, que incorporam o IVA como se fosse uma doença. Para os reformados, que perdem dinheiro. Para as empresas, para os desempregados, para os doentes, para os alunos, para os senhorios, para os proprietários, para o contribuinte, o faltoso, o limpinho e o ranhoso. Antigamente, dizia-se que quando se torcia um jornal sensacionalista, pingava sangue. Agora, o sangue cai quando se torce um jornal sério. As más notícias são os factos do país.

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O desporto não tem prevista uma austeridade especial que não seja a redução de orçamentos de tudo o que é apoiado ou suportado pelo Estado. No futebol profissional, que é um negócio pobre onde gente fica rica, a pressão vem da economia e da banca. A economia leva menos espectadores ao estádio e menos patrocínios às equipas. A banca retira crédito de que os clubes são, quase todos, dependentes. Por isso os salários dos jogadores terão de descer. Por isso poderemos ver clubes mais frágeis soçobrar.

Faltam poucos dias para conhecer todo o Orçamento para 2012. Não será feriado. Nem há futebol. Só fado – o de sempre.

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