Já se esperava e foi assim que aconteceu. Lisboa, simbolizando todo o Portugal, saiu à rua para receber de braços abertos a Selecção Nacional. O desempenho da equipa na Alemanha merecia, de facto, mais uma demonstração de carinho por parte da população que, pelos vistos, continua enamorada por aquela que, desde o Europeu de 2004, voltou a ser a equipa de todos nós.
Jogadores, técnicos e dirigentes não conseguiram esconder a emoção. E mais do que agradecer as inúmeras manifestações de apoio recebidas ao longo do último mês, percebeu-se que todos gostavam de oferecer algo mais aos adeptos. Figo e Scolari pediram mesmo desculpas por na bagagem não terem trazido a taça com que todos sonhámos. Não era caso para tanto, pois foi evidente que a equipa se esforçou para lá chegar. Não foi por falta de vontade que o título nos escapou.
Habituando-se a lidar com os lugares cimeiros das grandes provas internacionais, os jogadores portugueses vão perdendo o medo de assumir, sem rodeios, que jogam para ganhar, para serem campeões. Essa predisposição é fundamental para se atingir os patamares de excelência. É obrigatório acreditar no sucesso. Só assim se consegue trabalhar de forma alegre, mas determinada. E mais: desta maneira “coloca-se em sentido” a concorrência.
A demonstração de patriotismo do povo tem de ser também devidamente celebrada. Conforme afirmou o “magriço” António Simões no Estádio Nacional, “não é crime algum sofrer pelo País, ter orgulho nos seus feitos e sair à rua para festejar as vitórias”. Este é um pensamento que devia estar sempre presente em todos nós. Portugal só pode passar a ser uma nação forte (independentemente da área) se a maioria puxar para o mesmo lado e se ninguém tiver vergonha de dizer que é português.
O futebol, ou não fosse o desporto-rei, é que concentra as atenções, mas também as outras modalidades merecem a atenção do País. Portugal tem, hoje em dia, estrelas no atletismo, triatlo, ciclismo, vela, natação ou judo. E colectivamente, as selecções de hóquei em patins, râguebi, voleibol, andebol, futsal, futebol de praia ou basquetebol também conseguem bater-se com os mais fortes. Está na hora de, pelo menos nas partidas em casa, contarem com o incentivo indefectível da população. Certamente que iremos ter muitos motivos para festejar. Não tantos como as grandes potências mundiais, é certo, mas talvez sejamos os mais fortes entre as nações com pouco mais de 10 milhões de habitantes. Não somos muitos, é um dado indesmentível, mas podemos e devemos ser bons…