Quando Pinto da Costa chegou esta semana à porta do presídio de Évora, nem os jornalistas o deixaram em paz nem ele deixou de dar guerra. José Sócrates é benfiquista confesso, mas foi do presidente do FC Porto que recebeu visita. Pinto da Costa nunca disse o seu nome, mas referiu-se àquele que ia visitar como “uma pessoa que prezo muito”. Possivelmente, nem falaram de futebol. Mas, por razões muito diferentes, são homens que enfrentam o fim de um ciclo de poder.
Sobre José Sócrates não é preciso dizer muito. A sua prisão preventiva encerra quase certamente a sua carreira política. O antigo primeiro-ministro tenta “sair” da prisão falando para a comunicação social mas a passagem do tempo vai isolá-lo como vítima (para uns) ou como culpado (para outros). No caso de Pinto da Costa, não se trata de decadência, mas de declínio. A sua sucessão está anunciada e há grandes receios sobre a união ou desunião que se seguirá ao homem que fez do Porto o que o Porto é. Os problemas financeiros e económicos que os clubes enfrentam obrigam a vender jogadores, o que prejudica a qualidade dos jogos. E isso não ajuda: um presidente é sempre popular porque a equipa está a ganhar ou porque é suficientemente convincente de que começará a ganhar. Bruno de Carvalho, por exemplo, saberá disso: se o Sporting não ganhar (e resultados como os dos dois últimos jogos, um empate em casa à última hora e uma vitória à tangente contra o Vizela), mais tarde ou mais cedo o seu projeto será questionado.
Pinto da Costa provavelmente é mais fã de José Sócrates do que de Lopetegui. O treinador espanhol, que disse a delirante frase depois da derrota com o Benfica que o jogo o deixou certo de que vai ser campeão nacional, é tão convincente como um galo a pôr ovos. Pinto da Costa há de pôr ordem na casa. Sempre pôs.