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A saída de Paulo Fonseca do comando técnico do Futebol Clube do Porto foi penosa. O homem já não queria estar ali há pelo menos duas semanas, como as notícias dos jornais iam revelando. Queria sair. Saiu. E agora, Porto?
Paulo Fonseca não foi grande espingarda mas também não foi tão mau como o pintam. Provavelmente, o jovem treinador que fez um figurão no Paços de Ferreira na época passada aprendeu muitas lições nesta passagem. E, provavelmente, uma dessas lições foi a de que é preciso negociar melhor a entrada. Ou muito nos enganamos ou Paulo Fonseca aceitou tudo o que lhe quiseram e não quiseram dar. Ficou com uma equipa muito desequilibrada, sobretudo depois da venda do insubstituível João Moutinho. Falhou na motivação da equipa. E deixou-se queimar, esperemos que não definitivamente. O fracasso de Fonseca este ano não foi só azar. Mas o sucesso no ano anterior não foi só sorte. Adiante.
O adiante inclui o Porto. Este ano nada está perdido, mas só uma enorme surpresa fará um volte-face no campeonato. Neste momento, o mérito continua a ir sobretudo para o Sporting (e para clubes como o Estoril). O clube de Alvalade só não está a soprar no pescoço do líder Benfica por causa do golo mal anulado ao Belenenses no fim de semana. E o Porto precisa não apenas de garantir que a equipa volta a entrar nos eixos mas também de assegurar que a sucessão de Pinto da Costa no poder não faz desandar uma organização que nos últimos mais de 20 anos sempre andou focada. Porque além da sucessão imediata de Paulo Fonseca, o Porto parece estar a concretizar devagar a entrega da liderança do próprio clube.
PS: o Sporting apresentou na semana passada resultados do primeiro semestre da época: lucros operacionais, contra prejuízos em igual período do ano passado. Tudo isso acontece depois da reestruturação brutal nas finanças e nos custos operacionais do clube, o que é notável. E revela que é possível sofrer a pressão dos bancos e, mesmo assim, conseguir gerir à tona da água.