Não há boas oportunidades para vender ótimos jogadores. Se um jogador fundamental sai quando a equipa está mal, a situação só pode piorar; se o jogador sai quando a equipa está em crescendo, há o risco de inversão de tendência.
Mas uma coisa é o discurso abstrato, outra a realidade: por mais voltas que se dê, um clube português não pode resistir a uma oferta significativa de um clube de topo europeu. É possível convencer um jogador a não sair para o campeonato russo ou turco. Dificilmente se convence um jogador a ficar perante uma proposta de um dos grandes de Inglaterra e Espanha.
Perante uma inevitabilidade como era a venda de Matic, resta, por isso, gerir sem dramas o timing da saída e as alternativas.
Se o sérvio tem sido vendido há uns meses, o Benfica teria tido dificuldade em recompor-se (como, de facto, foi capaz de fazer); saindo agora, com a equipa a liderar, o cenário é, ainda assim, menos problemático. O mais provável é Matic não ter saído no verão porque não existiram propostas, mas não vejo quais seriam as vantagens de uma venda no defeso, tendo podido o Benfica ter o sérvio a (re)equilibrar a equipa nos difíceis meses de setembro e outubro.
Resta, pois, a questão das alternativas a Matic.
Jesus tem conhecidos defeitos, mas tem também evidentes qualidades como treinador. Entre elas está a capacidade de valorizar jogadores. A saída de Matic deve ser encarada como parte do negócio que deve ser a atividade de um clube como o Benfica. Sai um jogador, entra outro, que é valorizado e gera mais-valias. Pode bem ser este o percurso de Fejsa.
Mas a saída de Matic é também um bom pretexto para o Benfica, mantendo os seus princípios, aproveitar para ter um sistema de jogo alternativo, com três médios. Matic era de tal forma versátil, que jogava por dois (um pouco como acontecia com Ramires). Sem o sérvio, estão criadas as condições para afirmação no onze de jogadores de características diferentes. Com dois médios, dificilmente Djuricic, André Gomes e Bernardo Silva poderiam jogar. Agora, a história pode bem ser outra.