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O pós-Ronaldo

O pós-Ronaldo

Portugal entra na campanha Euro’2016 com uma equipa renovada e sem Ronaldo. O facto de jogar sem Ronaldo é uma oportunidade de lançar o desmame da dependência que um enorme jogador sempre cria.

Só os maiores campeões conseguem regenerar-se. E mesmo nesse clube privado onde só entram Brasil, Alemanha, Itália e Argentina, basta olhar para a história e veremos vazios de magia após Pelé, ou Ronaldo e Ronaldinho; depois de Beckenbauer, no ocaso de Pirlo, na despedida de Maradona. A Espanha ainda não recuperou do envelhecimento de Xavi. A França da retirada de Zidane. Como será a Seleção de Portugal no pós-Ronaldo? Convém que seja Paulo Bento a responder a esta pergunta nos jogos em que o grande craque não vai comparecer, e que o inexorável girar do tempo tornarão cada vez mais frequentes.

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Desde 2002, Portugal passou a entrar na segunda linha de favoritos em Mundiais e Europeus. Primeiro, graças a Figo e à geração de ouro; logo depois, à boleia de Ronaldo e da sua capacidade de levar tudo à frente. Até à bola tocar as redes.

Mesmo que Ronaldo mantenha condições para ainda poder liderar a Seleção no Euro’2016, todos devemos estar cientes que aquela capacidade de arranque quase extraterrestre tende a desaparecer. Se é que ainda existe. É essencial para os próximos anos de carreira de Ronaldo, e para as aspirações de Portugal, que Ronaldo comece a procurar terrenos mais interiores, que lhe permitam alto rendimento com menos metros em sprint. Mas tal como o sol se põe todos os dias, Ronaldo irá acabar enquanto estrela dos relvados. Quanto menos orfandade a Seleção Nacional sentir do seu maior jogador, melhores serão os resultados da próxima década. Paulo Bento tem obrigação de renovar a Seleção, já a pensar nos próximos seis anos.

Com um pouco mais de coragem do que Fernando Gomes mostrou nas tímidas mudanças após o pantanal brasileiro.

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