Por mais que goste de cumprir os compromissos assumidos, Jesualdo Ferreira seguiu o único caminho possível. Quem é que aos 60 anos, com uma carreira com mérito mas sem o êxito que todo e qualquer treinador gosta de ter, podia recusar trocar o Bessa pelo Dragão por mais que sentisse em seu torno união e ambição? Neste ponto estamos todos de acordo.
Se Jesualdo fez o que tinha de ser feito, deixando para trás um projecto de dois meses ou ainda menos do que isso, Pinto da Costa surge neste processo de sucessão de Adriaanse com uma atitude em tudo semelhante à época dos sucessivos erros: Del Neri, Fernandez e Couceiro.
Lembram-se do que disse Pinto da Costa quando anunciou Couceiro? Que sempre desejou ver o então treinador do V. Setúbal à frente dos dragões. E o que é que sucedeu depois? O "casamento", que teve direito a uma gravata especial e tudo, acabou ao fim de três meses.
Com a escolha de Adriaanse, Pinto da Costa voltou a mostrar algum arrojo. O arrojo que lhe faltou agora. Depois de uma época em que ganhou a Liga e a Taça de Portugal mas desperdiçou o prestígio e os milhões da Liga dos Campeões, o FC Porto tem pela frente o desafio de se tentar aproximar de onde Mourinho o deixou. Para Pinto da Costa, Jesualdo é o homem certo para isso. Parece-me que o presidente portista podia ter feito melhor, tirando do baú as jogadas de mestre que o tornaram célebre...
Jesualdo Ferreira teve no Sp. Braga, como bem disse Mourinho, "um trabalho positivo". Mas será esse trabalho suficiente para ambição e desafios que o FC Porto necessita?