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O preconceito instalado

O preconceito instalado

Cristiano Ronaldo e Lionel Messi são dois jogadores extraordinários. Em função das suas características físicas, têm naturalmente estilos distintos, sendo ambos capazes de fazer vibrar qualquer adepto de futebol. É legítimo que as pessoas tenham a sua preferência por um jogador em detrimento do outro. Mas verdadeiramente indecente é esta imagem que se tenta passar, a nível internacional, de que Messi é um menino-bonito e Ronaldo um mau exemplo. O estereótipo está de tal forma instalado, que até o presidente da FIFA se revê nele…

Cristiano Ronaldo personifica o modelo da criança que nasceu pobre, mas que encontrou o caminho da prosperidade por via do seu talento. Para lá chegar, como um verdadeiro leão que é, depositou muito esforço, dedicação, devoção e glória na sua bem-sucedida carreira. Com muito sangue, suor e lágrimas, tornou-se numa estrela mundial por mérito próprio.

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As eventuais “excentricidades” (se é que lhe podemos chamar isto) do português fora de campo não podem servir de barómetro para medir a dimensão do seu futebol e muito menos para o comparar com o rival do Barcelona. Para um jogador que respeita a sua profissão, que trabalha todos os dias para ser ainda melhor (por vezes, até depois dos treinos com os colegas) e que rende imenso em todos os jogos, é tremendamente injusto que se lhe tente colar o rótulo de “bad boy”, fútil e mau profissional.

Olhe-se para a forma como Cristiano Ronaldo lida com fãs, para perceber o enorme respeito que este tem por eles. Não é por acaso que o português tem mais seguidores nas redes sociais do que o argentino. Ainda esta época, num jogo de preparação do Real Madrid com o Chelsea nos Estados Unidos, um adepto invadiu o relvado para abraçar o internacional luso. Uma carta que Cristiano enviou às autoridades de Miami acabou por ajudar o adepto, que viu ser-lhe retirada uma das acusações devido ao seu comportamento.

Outro exemplo. Na época passada, nas visitas de Barcelona e Real Madrid a Granada, uma criança conseguiu esgueirar-se por entre a segurança e abraçar as duas estrelas. Messi, visivelmente incomodado, tentou desembaraçar-se rapidamente do jovem e até precisou da ajuda de dois seguranças para o tirar da sua beira. Por seu lado, Cristiano Ronaldo, descontraidamente, acarinhou o adepto e até indicou aos seguranças para não se aproximarem.

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Às vezes nem tudo o que parece é. Dentro do campo, Cristiano Ronaldo é acusado, por vezes, de ter mau génio. E Messi é visto como um exemplo de tranquilidade. No entanto, já se envolveu em picardias com Mourinho, com Fábio Coentrão e até cuspiu em Duda. Isto só para enumerar casos em que houve portugueses envolvidos. E fora do campo, enquanto “Ronaldo gasta muito mais dinheiro que Messi em cabeleireiros”, o argentino anda a responder em tribunal por alegada fraude fiscal.

Ninguém é perfeito. Não pretendo com isto criticar o craque argentino, jogador tremendo com pleno direito de figurar entre os maiores do futebol mundial. Acredito apenas que não se pode crucificar um outro atleta de excelência com base em preconceitos infundados, que poderão ter, pelo que se percebe agora, influência na atribuição dos prémios que distinguem os melhores jogadores do Mundo. A FIFA tem o dever moral de ser imparcial na avaliação que faz de todos os seus protagonistas. Dizem que o exemplo deve vir de cima, mas Joseph Blatter deve estar mais preocupado com o milionário Mundial que se vai realizar no Qatar.

O CRAQUE
Talento confirmado

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A veia goleadora do Sporting tem em Fredy Montero o seu expoente máximo. Mas há outro jogador que tem dado um importante contributo à eficácia leonina: Wilson Eduardo. Há muito que o seu talento era reconhecido, mas foram precisas cinco temporadas de empréstimo para que o avançado português tivesse uma oportunidade no Sporting. E está a corresponder. Jogando nas alas, o seu jogo interior e remate fácil aproximam-no da baliza e dos golos. É um jogador em prol do coletivo (combina bem com o colombiano), que empresta força e imprevisibilidade. Aos 23 anos, tem margem para evoluir.

A JOGADA
Mão pesada para desordeiros

As imagens de pancadaria que todos vimos nas imediações do Estádio do Dragão, antes do clássico entre FC Porto e Sporting, são inqualificáveis. Todos os clubes deviam unir-se para evitar que gente que não gosta de futebol possa semear pânico e medo junto de quem gosta verdadeiramente de futebol (em muitos casos, famílias com crianças), independentemente da cor clubística. Está na altura de se criarem meios para que a legislação possa prever penas mais pesadas para este tipo de desordeiros.

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A DÚVIDA
Mexidas no Dragão

Izmailov desapareceu dos treinos e, pelo que se tem visto, Fucile parece inclinado a fazer o mesmo. Os dois jogadores parecem ser cartas fora do baralho de Paulo Fonseca, que passa assim a ter um plantel mais reduzido para o exigente calendário que os próximos meses adivinham. A equipa B poderá dar uma ajuda a gerir o esforço dos jogadores portistas, com alguns a surgirem já num plano aceitável para merecerem o teste na equipa principal. No entanto, será que o dragão vai às compras em Janeiro?

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