O que diz Rochemback

O sr. Rochemback é um assalariado do Sporting e é pago para jogar. O treinador é igualmente um empregado do clube, que o remunera para que oriente a equipa. Eu sei que José Peseiro estava há alguns meses atrás ao lado de Carlos Queiroz quando o actor David Beckham o mandou pentear macacos, sem que nada lhe tivesse acontecido, pelo que teria agora de ser a SAD sportinguista a encher-se de brios e a meter o brasileiro no seu lugar, atitude que, a não ser tomada, estimulará outros actos de indisciplina que poderão tornar o barco ingovernável.

Mas... Eu lamento muito, até porque Peseiro é um homem sério e correcto, mas... conforme só vou ao cinema por causa dos actores, também só gosto de futebol por causa dos jogadores. E por isso dou comigo a pensar no que aconteceu no FC Porto, no início da época. Se Jorge Costa e Vítor Baía não têm começado a mandar vir e liderado a revolta, se calhar ainda hoje o totó por lá andava a desengonçar a máquina toda. Portanto, Rochemback, pois, enfim, é destas coisas...

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Diego

Talvez já tenha visto melhor - afinal, vi jogar Travaços, Matateu, Di Stefano, Garrincha, Pelé, Eusébio, Cruyff, Maradona... -, mas a jogada do golo de Diego ao Sporting só é possível num jogador de altíssimo nível. Aquela explosão que lhe permitiu passar pelo meio dos dois defesas leoninos - Polga e Rui Jorge - revela uma capacidade técnica que pede meças ao próprio Deco.

Foi, aliás, esse o grande trunfo conquistado por Pinto da Costa no início da temporada e confirmado anteontem em todo o seu fulgor: compensar a saída de grandes jogadores com a entrada de... grandes jogadores. O golo de Carlos Alberto, logo a seguir ao de Diego, foi outra obra de arte. Marca quem pode...

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Ricardo

O primeiro golo do FC Porto só aconteceu porque Ricardo falhou, isso é um facto. Mas não lhe perdoar um lapso numa partida em que evitou várias situações delicadas é pedir a perfeição. E não havendo guarda-redes perfeitos, Ricardo - é uma chatice, eu sei - não é perfeito. Só aquela saída aos pés do isolado Derlei - meu Deus, como o meio-campo leonino parecia estar parado quando o brasileiro acelerou... - serve para se definir a classe de um número 1. Aliás, passa-se com o guardião do Sporting o que se passa com Vítor Baía: de vez em quando, lá vem frangalhada. Mas isso não os diminui, pois todos os grandes guarda-redes têm falhas monumentais. Olhem, a mim nunca me acontece!

Carlos Martins

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Lá estou eu outra vez a meter a foice na seara de Peseiro... Mas é mesmo assim, todos temos um treinador dentro de nós, o que se há-de fazer? E é essa costela treinadora que me pergunta: por que insiste o técnico de Alvalade em meter o Enakarhire e o Rui Jorge a laterais? Será para nenhum deles passar da linha de meio-campo? E por que diabo trocou o veloz Douala pelo simpático Pinilla? E por que tardou tanto a entrada de Pedro Barbosa e, especialmente, a de Carlos Martins, o único médio leonino que mete velocidade na coisa? Bem, mas eu estou a colocar estas questões porque o Sporting perdeu, porque se não tem perdido era tudo bestial e Peseiro é que era o homem. Coisas da vida.

Duas pérolas negras

O gabonês Antchouet lidera a lista de marcadores da SuperLiga, à 9.ª jornada, com 8 golos, depois do "hat-trick" que conseguiu em Aveiro, na passada sexta-feira, dia 5. Não sei há quantos anos o Belenenses não tinha, por esta altura do campeonato, um jogador seu como goleador-mor da nossa principal competição de futebol. Mas há muitos, isso é seguro.

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Curiosamente, encontro na edição de Record de há 50 anos, mais precisamente na de 9 de Novembro de 1954, a seguinte notícia: "Matateu passou para a frente dos marcadores". Continuando a leitura, verifico que o extraordinário avançado moçambicano somava 13 golos, também à 9.ª jornada, mais dois que o portista Teixeira e mais três que o sportinguista Martins.

Matateu isolou-se então no comando da tabela dos goleadores após um "hat-trick" conseguido nas Salésias, frente à CUF, a 7 de Novembro de 1954, meio século (menos dois dias) antes da proeza de Antchouet frente ao Beira-Mar. Sem querer comparar a classe das duas pérolas negras - Matateu era de outra galáxia e o Belenenses ainda sonhava, nessa altura, voltar a ser campeão - é de facto curioso que o clube do Restelo continue a ser feliz na sua aposta em marcadores de golos nascidos em África.

Fernández

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Sei que estou a ser injusto ao não dedicar esta coluna ao Benfica, que com maior ou menor dificuldade lidera a SuperLiga e jogou muito bem contra o Vitória de Setúbal - pena a meia-casa no Estádio da Luz -, mas não posso deixar passar em claro mais essa vergonha para o futebol português que foi o castigo de 15 (!) dias aplicado a Víctor Fernández, um técnico que se tem distinguido por uma compostura ímpar e por uma honestidade intelectual raramente vista por estas bandas. E conhecendo-se o grave "crime" que praticou, ao pronunciar a já célebre frase "é falta!", não sei se merece a pena estar para aqui a tecer mais considerações. Vale mais rir-me. Como dos palhaços.

Porque não damos o golo a Liedson...

Se me perguntassem se eu gostava que o primeiro golo do Sporting em Penafiel fosse atribuído a Liedson, eu diria de caras que sim. Gosto muito do avançado brasileiro, que considero um jogador precioso, e vê-lo marcar é sempre um prazer. Mas este jornal é o Record - que levou meio século a conquistar o prestígio de que hoje disfruta na imprensa portuguesa -, não é um catavento que muda com um simples espirro.

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O comentário do Penafiel-Sporting esteve a cargo de um chefe de redacção de Record, que no campo atribuiu o golo ao penafidelense Nuno Silva e teve o cuidado de pedir para Lisboa que outro chefe de redacção confirmasse o facto através das imagens da televisão. À luz das regras da FIFA, e tendo sido determinante a acção do defesa para que a bola entrasse, o tento deve ser-lhe atribuído. Respeitamos a decisão da Liga em dar o golo a Liedson, mas não alteramos o que, correctamente, Record escreveu. Com muita pena minha!

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