Os que dizem que o FC Porto ganha por causa do "sistema" - o que só lhes fica mal, com os "banhos de bola" que a equipa de Mourinho anda a dar... - têm agora de me responder a esta questão: por que levou Costinha o "amarelo" no jogo contra o Beira Mar? Só se foi porque o árbitro quis que ele "limpasse" os cartões na partida de amanhã com o Maia, para Taça, e como o jogador não se dispunha a justificar a quinta admoestação da época, ele pimba! Deixemo-nos de brincadeiras. O Juninho Petrolina foi carregado por um adversário, deu uma reviravolta e atingiu (creio que de raspão), com um pé, o Costinha. Este espetou o dedo e refilou com o aveirense, com modos muito mais cordatos do que se vê por aí, e o Petrolina não esteve pelos ajustes e deu-lhe uma cabeçada. Leram bem: uma ca-be-ça-da. Como actuou, então, o apitador Sousa? Expulsou o brasileiro, como lhe competia? Não, fez como Salomão, deu um "amarelo" a cada jogador e resolveu o problema. Isto é que é o "sistema" montado pelo FC Porto, por Valentim Loureiro ou seja por quem for? Não, isto é a incompetência, é o fraco nível técnico de alguns árbitros, é a progressiva descredibilização do futebol português. E já é de mais.
D. Cunha
Parabéns! É o mínimo que se pode dizer ao presidente sportinguista, Dias da Cunha, pelo pólo aglutinador de pessoas que está a construir em Alvalade, com cinemas, restaurantes e empresas (e a estação do metro adjacente) a arrastarem milhares de pessoas para o novo estádio. No mesmo dia, quase à mesma hora - mais uma originalidade irracional do "sistema" - jogaram em Lisboa o Sporting e o Benfica, ambos a disputarem o segundo lugar, ambos "convencidos" de que ainda podem apanhar o FC Porto. Pois em Alvalade havia 32 mil espectadores e na Luz apenas 27 mil, tantos quantos estariam nas velhas Antas no dia seguinte. Cinco mil pessoas a mais para a conta de Dias da Cunha.
Simão
Inteligente, José Antonio Camacho arriscou bastante ao proferir uma frase difícil: "Simão é fundamental, João Pereira, não". Se não foi bem assim, andou lá perto. Com isso, o espanhol quis "facilitar" a vida a Luís Filipe Vieira, que demorou tanto a contratar o novo "pequeno-genial" que vai ter agora de abrir os cordões à bolsa. Mas também estimular Simão Sabrosa, que desde que deixou Barcelona ainda não conseguiu uma época que deixe de vez toda a gente convencida do inegável talento que possui. E ganhou Camacho, outra vez. João Pereira não "engatou" contra o Sp. Braga e Simão fez um golo não só fantástico, mas absolutamente decisivo. É o que eu costumo dizer: há coisas que são só para quem pode.
Vale
Não, talvez ainda não esteja tudo perdido. Apesar de nos termos habituado a ver os ratos abandonarem o barco ao primeiro rombo, algo de novo se passa. Primeiro, foram 200 apoiantes de Vale e Azevedo - com José Manuel Capristano e José Manuel Antunes na primeira linha - que se juntaram para o homenagear, acreditando na sua inocência e estando-se nas tintas para as supostas malfeitorias que se imputam ao ex-líder benfiquista. Depois, foi a vez de 200 amigos de Carlos Cruz - com Fialho Gouveia e João Malheiro na fila da frente - se reunirem para fazerem sentir ao homem que nos trouxe o Euro'2004 que estão com ele, apesar de tudo. Se o "tudo" for alguma coisa, claro.
'Bogi' revolucionário
Talvez Sequeira Nunes e os homens da SAD azul tenham acertado na contratação deste Bogicevic, com o qual simpatizo quanto mais não seja por ter os mesmos tiques que eu e um jeito que parece herdado do Presidium de Tito para escolher as gravatas de nó fino que ostenta debaixo do blusão do fato-de-treino. Não que o treinador do Belenenses me tenha já convencido da sua capacidade técnica. Pelo contrário. No terceiro jogo que o sérvio dirigiu, no domingo, contra o Alverca, a equipa de Belém exibiu uma incrível descoordenação, jogou aos repelões, sem qualquer automatismo, e a falta de coesão defensiva só teve paralelo na inépcia avançada, ambas saindo vencedoras de um Alverca excepcionalmente amorfo e conformado. Mas "Bogi", ao transformar um médio e um central em laterais, e ao colocar dois médios no eixo da defesa, conseguiu (espero que não por acaso) uma proeza impensável nas últimas épocas no envelhecido futebol do Restelo: deixou Filgueira no banco e renovou um quarteto defensivo semi-obsoleto, colocando Fábio Rosa, 21 anos, Hélder Rosário, 23, Pelé, 25, e Gonçalo Brandão, 17, como titulares. À frente, Eliseu, 20. Mais tarde, entraram Valdiran, 21, e Rúben, 18 anos. Só por isto, já lhe tiro o chapéu, caro Vladislav.
J. Sousa
O destino tem destas coisas: um árbitro faz o seu trabalho o melhor que sabe e depois só tem chatices. Acredito que Ricardo Carvalho tenha demorado a repor a bola em campo, para ter o quinto "amarelo" e não jogar para a Taça, ou que igual ideia tenha passado pela cabeça de Deco. Perder tempo a ganhar por 3-0 é pouco natural e utilizar os regulamentos em proveito próprio é atitude legítima, diariamente repetida por dez milhões de cidadãos. Mas ao "amarelar" também Costinha (ver texto acima) e Derlei (em vez de Deco, que fez a falta) e deixando-os a todos de fora do jogo de amanhã, o juiz Jorge Sousa - que até é do Porto, olha o azar - ganhou o "Prémio Coincidências" da semana.
Perguntas leva-as o vento...
1. Qual é o clube que toda a gente garante que vai subir de escalão e que tem nada menos de 5-treinadores-5 no comando técnico da equipa?
2. Em que moderna loja (sérvia? lisboeta?) o simpático "Bogi", técnico do Belenenses, adquire as suas lindíssimas gravatas?
3. Por que exibia José Couceiro um sorriso mordaz sempre que o árbitro do jogo do Restelo marcava faltas ao Alverca? E por que não sorriu quando um jogador seu deu uma cotovelada na cara de Mauro e ficou em campo?
4. Qual o clube que tem feito saber a quem de direito o seu desagrado pelos comentários (aliás, isentos) de Carlos Mozer na Sport TV?
O vento traz as perguntas, o vento leva as respostas...