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Tudo na vida tem um começo e um fim. A passagem de Scolari pelo comando da Selecção Nacional, naturalmente, também teria de acabar um dia. Não aconteceu após o segundo lugar no Euro'2004, também não surgiu após o quarto posto no Mundial'2006... vai ser agora.
Sendo verdade que o técnico brasileiro, à custa de uma filosofia muito própria, levou Portugal à obtenção dos melhores resultados de sempre ao nível sénior, não me parece que, com a sua saída, esteja em causa o futuro imediato da Selecção. Existe talento, soluções em número aceitável e o saudável hábito de jogar para vencer. E fora do relvado há um modelo organizativo que, por vezes, vale tanto ou mais que uma boa táctica. Que toda a Federação funcionasse como a Selecção...
O substituto de Scolari, seja ele quem for, terá a difícil missão de igualar ou suplantar os resultados alcançados pelo "Sargentão", mas não deve temer ir à luta. Temos todas as condições para nos mantermos no "top" do futebol internacional. Marcar presença nas fases finais das grandes competições é o destino de um País que, decididamente, não pára de "fabricar" futebolistas acima da média. Não creio que se regresse ao tempo da necessidade de milagres, de andar de máquina de calcular na mão para saber as hipóteses de seguir em frente. Isso, seguramente, já é história...
Manifestei, várias vezes, a minha discordância com Scolari. Nunca compreendi a sua aversão a mudar o esquema táctico consoante os adversários (só o faz quando está a perder e nos últimos minutos); jamais entendi a "birra" com Vítor Baía (ele que sempre garantiu não "emprenhar pelos ouvidos" vetou um jogador que nunca treinou) ou algumas convocatórias por simpatia (ignorando o momento de forma dos atletas). E, claro, também nunca apreciei a forma militar como, por vezes, respondia a quem ousava colocar-lhe perguntas menos cómodas ou arriscava criticar as suas opções. Scolari sempre foi uma pessoa de extremos: muito simpática e acessível em determinados momentos, arrogante logo de seguida. Mas, como todos nós, tem direito a ter o seu feitio. Como tem também legitimidade para, depois de alguns anos a rejeitar ofertas tentadoras, optar por aceitar a proposta do Chelsea. O desafio é aliciante e o dinheiro em causa não deve ser pouco.
Penso é que Scolari falhou ao deixar que o clube londrino anunciasse, a meio do Europeu, a sua aquisição. Para quem tantas vezes veio a público dizer que na Selecção os atletas só têm de estar concentrados na equipa nacional e não nos seus emblemas... exigia-se outra atitude. Mas, enfim, para mim tudo ficará bem se, depois do jogo "a feijões" com os suíços, Scolari levar a equipa portuguesa a mais três vitórias. É só isso que eu desejo. E continuo a acreditar que é possível!
PS - Depois das últimas notícias, começo a acreditar que Scolari tenha mesmo aconselhado Ronaldo a mudar-se para o Real Madrid. Eu se fosse o próximo treinador de um clube inglês teria a mesma opinião...
PS 1 - José Mourinho não deve ter gostado nada da ida de Scolari para o Chelsea. Ou me engano muito ou Ricardo Carvalho já não equacionará a mudança para Itália. E Deco, de abalada de Barcelona, também irá dar prioridade a Londres e não a Milão. Mourinho fez muito por ele, é verdade, mas Scolari ainda lutou mais para o ter e impôr na Selecção. E isso não se esquece...