O trono do príncipe James

O trono do príncipe James

1 - Sonha com a construção de uma orquestra à sua volta que lhe dê o privilégio máximo da liberdade. Quando olha em redor e se vê envolvido por andaime tão sólido como é o FC Porto de Vítor Pereira, mais se convence de que poderia ter menos tarefas sem bola e descarregar com outra eficácia as invenções na zona central, onde dispõe de mais panorama e opções para exercer. O treinador prefere dar-lhe como orientação a linha lateral na direita e incutir-lhe as obrigações inerentes à função para, depois sim, criar alternativas de aproximação ao golo. O número 10 está muitas vezes obrigado a fazer o que deve mas James Rodríguez ainda só gosta de fazer o que sente; no meio é importante falar verdade e apelar à perfeição de gestos e movimentos mas ele ainda prefere mentir da cabeça aos pés.

2 - Futebolista de soluções insólitas e inesperadas, James é mestre em dar informações falsas aos seus marcadores: olha para o lado contrário onde vai colocar a bola; se simula o passe é porque vai fintar; se ensaia o drible é porque vai fugir com a cumplicidade de uma tabelinha milagrosa; se sugere rapidez é porque vai abrandar. Só assim se explica que, aos 21 anos, com aquela cara de menino bem comportado, seja conhecido por El Bandido. O tempo encarregar-se-á de calibrar o assombro da surpresa com a perfeição requerida pelo senso comum. Por enquanto, James é avançado e não médio-ofensivo; é solista e não maestro. Jogar na frente encerra menos riscos: se tudo corre bem, o golo está próximo; se não, a coragem de insistir gera faltas em zonas frontais e acumula cartões que também ajudam a fazer a diferença.

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3 - A bola pode viajar nervosa, maltratada, sem esperança de vida; mas quando os seus pés a recebem e acariciam, é como se ficasse rendida às virtudes hipnóticas de um encantador de serpentes. Percebe-se então que não podem viver separados. A paixão é tão arrebatadora que se procuram durante um jogo inteiro, na certeza de que só juntos podem aceder à eternidade. Seguem-se truques só ao alcance dos grandes mágicos: James exerce com imaginação, inventa e nunca tem pressa; é perfeito a simular, travar, arrancar, mudar de direção e executar, como se todos os passos fossem um só. Naquele estilo sumptuoso, instintivo, imprevisível, elegante, com sublime jogo de cintura e perfeita gestão de velocidade, há traços que fazem lembrar Rabah Madjer, o génio dos génios que o FC Porto deu ao futebol português.

4 - James é um príncipe do futebol, herdeiro dileto da nobre dinastia dos grandes artistas da bola. Já é, a alguma distância, o melhor jogador da liga portuguesa e caminha a passos largos para se acomodar no patamar de excelência universal onde só habitam os seres divinos. Se continuar a evoluir com a mesma regularidade e não se equivocar no caminho; se agregar ao processo de construção como fenómeno planetário os êxitos coletivos que o FC Porto e a seleção da Colômbia têm quase a obrigação de lhe oferecer; se for capaz de acompanhar todo o processo com o imprescindível reconhecimento individual, em breve terá um trono só para ele: o de um dos mais extraordinários jogadores em todo o Mundo, candidato a rei daqueles que vivem apenas um degrau abaixo de Cristiano Ronaldo e Messi.

Desastre feito de erros infantis

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Em Basileia, porém, o Sporting bateu ainda mais fundo, acumulando erros infantis. No primeiro golo, por exemplo, os onze leões estavam atrás da linha da bola, dentro (oito) ou próximo da área (três), formando estrutura desmantelada com dois passes previsíveis – prova de mau posicionamento e péssima avaliação individual do lance. No terceiro golo, já em vantagem numérica, permitiram que um pontapé de canto a favor virasse contra-ataque letal do adversário – sinal de que, para lá de nulos a atacar, ainda revelaram indiferença aos princípios básicos da organização. O desastre foi total.

A alternativa André Almeida

Quando vão ao estádio não perguntam quantos anos tem este ou onde nasceu aquele: querem qualidade. O Benfica viajou do orgulho em só ter portugueses (até final dos anos 70) aos dias de hoje em que, por norma, apresenta equipas só com estrangeiros. André Almeida começou por ter a tolerância da nacionalidade (a cultura dos clubes é mais profunda do que imaginamos) mas evoluiu para o reconhecimento da capacidade para ser alternativa a defesa-direito e médio-centro. Confirmação de que, se é para ensinar e fazer crescer jovens, os portugueses são iguais aos outros.

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Rafael Miranda foi fundamental

Rafael Miranda foi o impulsionador da notável ponta final do Marítimo no St. James Park, onde os insulares banalizaram o Newcastle, criando condições para partir em busca da vitória. O brasileiro foi omnipresente: cortou linhas de passe, ganhou duelos individuais e ainda foi capaz de adaptar essa energia inesgotável na recuperação da bola ao início da manobra ofensiva. Na retina ficou o grande golo de Fidélis e o toque genial de Rúben Brígido que deu o triunfo ao mesmo Fidélis, em lance ingloriamente desperdiçado. Mas sem a exibição de Rafael nem sonhar teria sido possível.

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