Muito de vez em quando, há um jogo assim. Um jogo de glória absoluta em que o fraco fica forte e o forte ajoelha. Um jogo que fica para sempre. Um jogo que, neste caso, faz dizer que há dias em que mesmo quem não é do Porto adoraria estar no Porto.
Este foi o primeiro jogo do ano em Portugal com um "tubarão" como o Bayern. Não eram só as probabilidades que estavam a favor dos alemães, eram as expectativas. Mesmo depois daquele início com dois golos de rajada, o Porto quebrou e chegou o golo alemão. Muito pensaram: pronto, na segunda parte arrumam a coisa. Eu pensei.
Pensei mal. Até aos 70 minutos o Porto foi excecional. Jackson enganou (deliberadamente?...) sobre a forma física e fez um jogo extraordinário. Quaresma já não é moço mas ainda é aquele monstruoso poço de talento. E Casemiro foi essencial, pela forma como destruiu jogo do Bayern. Não são favas contadas: o Porto vai agora à Alemanha sem os laterais, contra um Bayern que marca em média três golos por jogo em casa – mas ir com 3-1 no bolso é diferente.
Onde esteve este Porto durante toda a época? Guardado à espera de quê? Guardado à espera dos jogos da Champions. O jogo de ontem foi o ponto mais alto do ano da equipa, mas já contra o Lille e contra o Basileia o Porto jogara a um nível incrivelmente superior ao que mostra na Liga. Os picos são na Champions. Talvez porque a experiência de Lopetegui seja melhor em competições curtas e em jogos a eliminar. Talvez porque os jogadores se superam ao quererem mostrar-se. Seja pelo que for, o Porto ontem foi esmagador. Falta o jogo de lá. Mas o de cá já cá canta. E canta como uma ode. Grande Porto.