Olímpica hipocrisia

Caminhamos a passos largos para os Jogos Olímpicos de Pequim. No entanto, não fora a imensa polémica em torno das violações dos direitos humanos por parte dos governantes chineses e, provavelmente, o Mundo ainda não estava “sintonizado” com a proximidade do arranque do maior acontecimento desportivo do planeta.

Como apreciador de praticamente todas as modalidades do programa olímpico, encaro sempre com enorme entusiasmo o ambiente pré-competição. Para mim, os Jogos começam mesmo antes, quando por todo o Mundo os atletas, alguns com tremendas dificuldades (como, infelizmente, sucede com quase todos os portugueses...), se esforçam – abdicando de muitas coisas – para tentar assegurar a presença entre a elite internacional.

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Vem tudo isto a propósito do contínuo “show” de intervenções e declarações absurdas assinadas por gente que aproveita todas as oportunidades para vender a imagem de grandes defensores dos fracos e oprimidos mas que, naturalmente, não passam de políticos de meia-tijela. Gente desta não faz falta à política, quanto mais ao desporto!

Sejamos claros: não apoio ninguém que, por esta ou aquela razão, viole os direitos humanos. Logo, assumo que os responsáveis chineses estão longe de pertencer a um coro de meninos bem comportados. Mas, alguém pensa que a situação interna da China – Tibete incluído – melhorará por causa das palavras de uns quantos senhores, devido às manifestações durante a passagem da tocha olímpica por esta ou aquela cidade ou, em caso extremo, face ao boicote (à competição ou à cerimónia de abertura) de determinados países? É óbvio que não!

O que mais me espanta nesta clara tentativa de aproveitamento político por parte de uns quantos “chico-espertos” é que nenhum se lembra de propor medidas económicas contra o gigante asiático. Podem até considerar boa ideia privar os atletas das suas nações de participar nos Jogos, mas esquecem-se da opção que mais pode enervar os chineses. E fazem-no, essencialmente, porque são hipócritas. Por outras palavras: não apreciam as atitudes dos chineses, mas não se podem dar ao luxo de os tentar ignorar. Os interesses económicos falam mais alto. Sim, esses é que contam e não os direitos humanos, apesar de tentarem demonstrar o contrário...

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E já agora: será a China a única nação poderosa no contexto internacional a violar os direitos humanos? Eu acho que não! Aliás, a “carapuça” serve bem a muitos dos que não se cansam de “atirar pedras” aos chineses. Ou estarei enganado?

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